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A Grande Fome de Mao - Frank Dikötter

Outra vez só tenho a agradecer a Editora Record por trazer mais uma belo lançamento neste ano. Imagine um livro denso e repleto de informações históricas. Estou falando de A Grande Fome de Mao, do escritor Frank Dikötter, natural da Holanda e autor renomado para tratar do tema, visto que o mesmo é Ph.D e professor de História Moderna da China na Universidade de Hong Kong.

Para quem não sabe, Dikötter conseguiu mudar a visão de diversos historiadores, utilizando fontes de arquivos chineses. Como historiador, sei bem que todo bom trabalho deve ter uma fonte bibliográfica para corroborar com sua obra. Aqui, o escritor faz isso com excelência, unindo arquivos russos, alemães, suecos, chineses, sem mencionar os arquivos de províncias espalhadas por toda a China, além de entrevistas. Sendo assim, é um trabalho memorável.

“Mas, na realidade, uma ditadura nunca tem um só ditador e sim muitas pessoas desejosas de brigar pelo poder com quem está acima delas. O país estava cheio de mandões locais, cada um tentava enganar o que estava acima para que acreditasse que suas conquistas eram genuínas.”

Preciso confessar algo: mesmo sendo historiador, não tive tanto contato como desejaria ter tido. Desde a escola até o ensino superior, é triste saber que não destacamos tanto a história oriental, apesar de não saber como o ensino do lado de lá é levado.

Em resumo, A Grande Fome de Mao retrata de maneira direta o que foi chamado de “O Grande Salto Adiante”, uma campanha lançada por Mao Tsé-Tung, que pretendia tornar a República Popular da China em uma nação desenvolvida e socialmente igualitária em tempo recorde, acelerando a coletivização do campo e a industrialização urbana. A campanha falhou e levou a China a uma catástrofe devastadora, onde milhões de pessoas morreram nas mãos do ditador Mao Tsé-Tung.

“Os especialistas estimavam a catástrofe demográfica entre 15 e 30 milhões de mortes. Com as estatísticas compiladas pelo próprio Gabinete de Segurança Pública na época, descobre-se uma calamidade muito maior: pelo menos 45 milhões de mortes prematuras entre 1958 e 1962. Mas não é simplesmente a extensão do número de mortos que conta, mas também como essas pessoas morreram.”

É importante lembrar que A Grande Fome de Mao não é apenas um livro para historiadores e, sim, um livro que deve ser lido por curiosos do tema, principalmente aqueles que são professores, assim como eu, pois grande parte dessas informações estão abnegadas dos livros didáticos e das prateleiras das livrarias.

Antes de ir embora, quero compartilhar com você um dos capítulos que eu mais gostei, que seria a Parte Seis: Modos de Morrer que vai desde Acidentes, Doença a Violência, Sítio de Horror e Canibalismo. Como disse Liu: “A história julgará você e eu, até o canibalismo irá para os livros”. Por isso, mais uma vez, quero agradecer a Editora Record por trazer essa obra-prima contemporânea.

Resenhista: Lucas Gonçalves

A Grande Fome De Mao

Fonte: Editora Record

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Um pensamento em “A Grande Fome de Mao (Dikötter, Frank)

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