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A Montanha - Lori Lansens

Durante a maior parte da minha vida, morei em uma cidade pequena. Isso nunca foi um empecilho para que eu desbravasse outros lugares bem maiores. Mas, desde que me mudei para a capital de São Paulo, vi que todo cuidado é pouco; pois, mesmo com duas pernas, uma boca e um smartphone em mãos, até o mais esperto pode se perder. Eu, que sempre gostei de guiar os passeios com meus amigos, tive a (in)feliz oportunidade de me perder na maior cidade do Brasil.

“O destino não é gentil com os descuidados.”

O que aprendi com isso? A ser mais prudente. Por que isso é tão importante? Porque são histórias como a da canadense Lori Lansens que me fizeram ter mais atenção. Em A Montanha, a narrativa que acontece em apenas cinco dias se transforma em um período incontável, que eu desejo que ninguém passe por isso. Deixem-me explicar melhor.

Wilfred Truly é um adolescente prestes a completar seus 18 anos. O tamanho da sua decepção com o pai foi motivo suficiente para que ele decidisse escalar uma montanha e se suicidar. Mas, quem diria que seus planos seriam boicotados por três mulheres, de três gerações diferentes (avó, mãe e filha) e capazes de fazer de tudo para sobreviver.

“Você nunca sabe se estragou seus filhos ou se eles nasceram desse jeito.”

Frio, fome e cansaço não são nada para quem tem de enfrentar o medo, a paciência e a esperança de ser resgatado. Os relatos, que são contados pelo próprio Wolf, demonstram que nós, seres humanos, jamais conseguiremos controlar o futuro. A dica é sempre viver um dia de cada vez e da forma mais racional possível. Resiliência sempre, ainda mais quando temos de aprender a conviver com tipos de pessoas que não estamos acostumados.

Em diversos momentos, me coloquei no lugar dos personagens, desejando que todo esse pesadelo acabasse o mais rápido possível. Apesar de ser uma ficção, A Montanha parece o diário de um sobrevivente que apenas viveu para contar aos demais sobre as escolhas mais difíceis da vida. Afinal, perder-se implica isso: encontrar uma solução. E nem sempre os mais fracos são os que morrem, mas, sim, aqueles que não usam a cabeça.

Aliás, mais do que uma montanha, a obra de Lansens é uma montanha-russa, já que a autora não cansa de inventar coisas para nos surpreender. Não temos aqui apenas o relato de todo o sacrifício; temos o passado sendo lembrado, desejado e consertado, como forma de reprimir o desânimo de lutar pela vida. Responda se puder: que você faria se estivesse no lugar dessas quatro pessoas?

Resumindo: A Montanha é um thriller psicológico que exige atenção, estômago e coragem. Se você gosta de aventuras e não tem traumas com as rasteiras que a vida te dá, vai curtir esse passatempo.

“Arrependimentos. Claro que pensamos em arrependimentos, mas não é o arrependimento das coisas que você fez que ocupa sua cabeça, é a melancolia pelas coisas que você jamais terá a chance de fazer.”

A Montanha

Fonte: Skoob

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