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O Deserto do Amor - François Mauriac

Triângulos amorosos são bastante comuns na literatura e nas novelas. No entanto, amores não correspondidos são comuns em ambos os universos e lembro até hoje de quando fiquei abalada, de verdade, com a história de amor de Florentino Ariza e Fermina Daza, o famoso casal marcante do escritor colombiano Gabriel García Márquez, em O Amor Nos Tempos do Cólera. Infelizmente, nem toda leitura deixa essa sensação em nós.

“Quando a presença de um ser humano nos emociona, independentemente de nós, estremecemos ante as possíveis consequências, e perspectivas indeterminadas nos perturbam.”

Paris é considerada a cidade mais romântica do mundo, porém, nem o cenário francês descrito por François Mauriac, em O Deserto do Amor, foi capaz de me convencer sobre o triângulo amoroso entre o doutor Paul Courrèges e seu filho adolescente (Raymond), pela mesma mulher: Maria Cross. Sim, essa é uma das histórias de amor mais estranhas que você vai encontrar por aí.

Assim como a maioria dos romances franceses, a obra de Mauriac não fica atrás quando a ideia é dramatizar o sentimento mais supervalorizado no mundo. Também fica bastante explícito o papel da mulher no início do século passado, onde era obrigada a sustentar um relacionamento infeliz por motivos frequentes na época: uma sociedade opressora e preconceituosa.

“Que pode haver de mais perigoso no amor do que a fuga de um dos cúmplices?”

Ficou confuso? Deixem-me explicar. Aqui, temos o famoso médico da cidade de Bordeaux, Paul Courrèges, e seu filho, Raymond, que encontra Maria Cross em um bonde e acaba se apaixonando por ela. A princípio, o flerte é retribuído, mas Cross não imaginava que Raymond era filho do seu médico, um homem desencantado com seu casamento e que acaba se interessando por ela, fazendo com que as consultas médicas usuais se tornassem frequentes.

A juventude costuma ser mais irracional e o que vemos nas quase 200 páginas de O Deserto do Amor é um adolescente tomado de ansiedade, ciúme e descontrole por um amor platônico, onde nem a pior das rejeições foi capaz de amenizar as dores de caminhar por uma estrada que nunca tinha andado antes.

Parece dramático, não é mesmo? Mas, é desta forma que Mauriac transparece essa relação que se torna doentia com o passar dos anos. A prova disso está visivelmente no trecho abaixo:

“Não é a morte que nos toma aqueles a quem amamos. Ela, ao contrário, guarda-os em nós e os fixa na sua adorável juventude: a morte é o sal do nosso amor; é a vida que dissolve o amor.”

O Deserto do Amor

Fonte: Skoob

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