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Um Farol no Pampa - Leticia Wierzchowski

Nunca consegui entender porque as pessoas gostam tanto de sagas literárias. Não vejo vantagens em ficar meses preso na mesma narrativa, mas, confesso que a saga A Casa das Sete Mulheres, da gaúcha Leticia Wierzchowski, fez com que eu mudasse a minha opinião. Um Farol no Pampa, que é o segundo livro da trilogia, é a continuação do clássico que leva o mesmo nome da saga. Se você perdeu a resenha da primeira obra, pode conferir clicando aqui.

Quando terminei A Casa das Sete Mulheres, a única impressão que tive, além do entusiasmo e a falta de fôlego, foi de que não tinha como continuar a narrativa. Apesar de várias indagações internas na última página, eu desejei, mais do que nunca, que aquela história acabasse ali. Quando vi que Um Farol no Pampa tinha 459 páginas, quase chorei. Era impossível que a autora pudesse dar sequência, pois muitos personagens já tinham falecido.

“Se a gente tinha que morrer, nascia para quê?”

Eis que devemos lembrar que a saga conta a história de uma família. Lembrando que é uma família tradicional brasileira do século XIX e com uma árvore genealógica de impressionar. Mesmo com a morte dos principais personagens em A Casa das Sete Mulheres, o segundo livro é, basicamente, a continuação de quem sobreviveu ao pior período político no Rio Grande do Sul.

Manuela ainda é a personagem principal e pasmem: ainda tem muita coisa para contar. As expectativas de que ela constituísse uma nova família e esquecesse o italiano Garibaldi foram por água abaixo. Sendo assim, temos muitas lamúrias, tristezas e medos. O destaque fica também com Matias e seu amor por Inácia, um relacionamento que tinha tudo para dar certo se a guerra não fosse a protagonista.

“A falta do que fazer é um veneno para a alma.”

Agora, ao invés dos pampas gaúchos, as terras paraguaias são o cenário principal de mortes, doenças e lutas. Em resumo, Um Farol no Pampa consegue ser ainda mais triste que o primeiro livro. Foi quando percebi que o tempo é ingrato e injusto, castigando aqueles que fazem escolhas precipitadas em busca de uma ideia que não deve ser sustentada.

A verdade é que o Brasil de hoje jamais estaria preparado para ser o país que foi no passado. Mesmo se tratando de uma história de ficção com elementos reais, é dolorido imaginar que, de certa forma, a maioria dos fatos aconteceram. E, mais uma vez, mostramos que o final feliz nem sempre prevalece. É tão bom quando isso acontece.

Obs.: no terceiro e último livro, a narrativa é sobre o amor de Anita e Giuseppe Garibaldi.

Um Farol no Pampa

Fonte: Bertrand Brasil

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