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As Virgens Suicidas - Jeffrey Eugenides

Fui pega de surpresa com o desafio da Farmácia Literária e não podia ficar para trás. Resolvi que, além das leituras em parceria com as editoras, também vou focar em cumprir uma parcela dos desafios literários que propus a mim mesma. Não é à toa que As Virgens Suicidas, do norte-americano Jeffrey Eugenides, apareceu por aqui: além de vencedor do Pulitzer em 2003, a obra é um hino cult da cultura atual.

Supostamente, o tema suicídio tem ganhado cada vez mais espaço na mídia. Mas convenhamos que o título intrigante e a capa sugestiva desta obra de Eugenides contribuiu para o interesse. Diferentemente de 13 Reasons Why (livro e seriado), que explodiu no início deste ano e teve a temática enfiada goela abaixo das mais diferentes formas, As Virgens Suicidas é singular, apesar de nada excepcional.

Narrada em terceira pessoa e por vozes masculinas e um tanto nostálgicas, a obra descreve com exatidão como um típico subúrbio dos Estados Unidos na década de 70 nunca mais foi o mesmo após o suicídio de cinco irmãs adolescentes da família Lisbon. Uma linha do tempo misteriosa é traçada pelos garotos adolescentes da vizinhança que puderam conviver com elas em algumas situações, mas a voz coletiva só causa ainda mais curiosidade.

Portanto, é de se esperar que o leitor percorra as 232 páginas em busca de uma explicação plausível para a morte sequencial das irmãs. Lux, Therese, Mary, Bonnie e Cecilia são meninas inteligentes, mas amedrontadas pelas restrições morais e religiosas impostas pelos pais, bastante comuns na época. Seria o suicídio um pedido de socorro para a liberdade?

A impressão que Eugenides causa é de estranhamento, medo, terror e nojo. Tudo isso ao mesmo tempo, levando em consideração que outros acontecimentos, como o primeiro beijo, a primeira transa e o primeiro baile são abordados de forma banal, onde chego a conclusão que muita coisa ainda não mudou desde o período narrado até os dias atuais.

Aliás, seria culpa da educação dos pais aos seus filhos ou da sociedade que impõe que você precisa ter, ser ou fazer tais coisas? O que mais choca em As Virgens Suicidas não é o suicídio, mas a união das irmãs que deixaram de existir e a destruição familiar que um acontecimentos dessa amplitude é capaz de provocar nos membros e na vizinhança.

Somos uma geração de sentimentos no estilo fast food, onde tudo é descartável e acontece numa velocidade impressionante. Talvez seja por isso que identifiquei uma voz narrativa infantil e adulta, mostrando a inocência dos garotos ao descobrirem e experimentarem coisas novas e também a decepção de terem suas memórias felizes interrompidas por mortes mal explicadas. Eugenides quase me convenceu.

Obs.: a obra foi adaptada para as telonas em 2000, com direção da famosa cineasta Sofia Coppola.

As Virgens Suicidas

Fonte: Skoob

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