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Trópico de Câncer - Henry Miller

“O câncer do tempo está nos corroendo. Nossos heróis se mataram, ou estão se matando. O herói, portanto, não é o Tempo, mas a Ausência de Tempo. Temos de acertar o passo, um passo ritmado, rumo às prisão da morte. Não há saída. O tempo não vai mudar.”

Mais de quatro anos se passaram desde a minha primeira experiência com o norte-americano Henry Miller. Na época, não sabia da importância de Trópico de Câncer e Trópico de Capricórnio, dois marcos da literatura mundial que foram lançados na década de 30 e, até hoje, faz tanto sucesso quanto. A reedição de Trópico de Câncer, da José Olympio, relembra o peso da obra, que ficou banida no país de origem do autor até 1961.

Afinal, o que esse clássico da literatura tem para nos ensinar? Bom, levando em consideração que li Trópico de Capricórnio antes do primeiro romance de Miller e que, quatro anos atrás, tinha uma admiração pelo estilo literário, devido ao escritor Charles Bukowski, é de se esperar que as minhas impressões sejam as melhores. Mas acho que a maturidade literária existe justamente para ficarmos cada vez mais críticos.

“Quanto menos atenção você dá, mais elas correm atrás. As mulheres têm alguma coisa perversa; no fundo, são todas masoquistas.”

Agradeço por ter amadurecido nestes quase cinco anos de Pitacos Culturais. Repetir a leitura de autores serviu para que eu repensasse sobre as minhas opiniões. Tive uma fase da minha vida em que escritores como Miller, Kerouac e Bukowski estavam em patamares que não consigo explicar, porque apesar de serem bons narradores, são seres humanos que têm uma temática em comum: sexo e mulheres.

Sei que o mundo está ficando chato sobre esse assunto, mas percebi que não existe mais aquele brilho nos olhos com esse tipo de literatura, um tanto violenta e banal. Tirando as críticas ao governo americano ou ao lifestyle da maior potência mundial, Trópico de Câncer chega a ser uma obra rasa, pois nada mais é que o cotidiano de um revisor de textos fracassado em solos franceses.

“É impossível dar vontade de lutar em quem não tem. Alguns de nós são tão covardes que não podem jamais ser heróis, nem mesmo se nos matarem de susto. Talvez a gente saiba demais. Alguns de nós não vivem o presente, estão um pouco à frente ou um pouco atrás.”

Em resumo, trata-se de relatos autobiográficos de um americano tentando uma nova vida na Europa, usando as mulheres para curar as feridas de um casamento arruinado na terra natal. O quão masoquista seria se identificar com uma história dessas e considerá-la como uma primazia da literatura? Acho que hoje, quatro anos depois da minha primeira leitura com Miller, percebi que estou mais humana.

Poucos parágrafos e quotes demonstram a humanidade do autor, mesmo com narrativas perrengues sobre alcoolismo, miséria, pobreza, prostitutas e tudo aquilo que envolve o típico universo de Miller, que revolucionou uma geração de leitores solitários e escritores depressivos. Seria mesmo Trópico de Câncer uma obra a ser reverenciada? Somente por sua forma de prosa, que não é linear e flui naturalmente. Mas aplaudir suas peripécias sexuais e aventuras na França seria impossível. Pode parecer engraçado, mas não é.

“Paris é como uma puta. De longe, parece encantadora, você fica ansioso para tê-la nos braços. Cinco minutos depois, sente-se vazio, insatisfeito consigo mesmo. Enganado.”

Obs.: a edição da José Olympio, lançada em 2017, possui algumas falhas que poderiam ser melhoradas. Como alguns leitores também citaram no Skoob, nós, leitores, sentimos falta de uma tradução dos trechos em francês, que aparecem com frequência e incomodam, pois não são redirecionados para notas de rodapé.

“Os seres humanos formam uma estranha fauna e flora. De longe, parecem insignificantes; de perto, tendem a aparecer feios e maldosos. Mais do que qualquer outra coisa, eles precisam ser cercados de espaço suficiente – até mais do que de tempo.”

Trópico de Câncer

Fonte: Skoob

 

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