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O Silencieiro - Antonio di Benedetto

Passei 25 anos da minha vida em meio ao silêncio rural e campestre da minha cidade natal. Isso sempre foi uma coisa que me incomodava, principalmente quando comecei a frequentar a capital do Estado de São Paulo aos finais de semana. Hoje, quase um ano depois da minha mudança para a metrópole, entendo a importância do ruído, mas também da falta dele.

Talvez seja por isso que eu tenha me identificado tanto com o drama exposto em O Silencieiro, do argentino Antonio di Benedetto. Um romance latino-americano que desde o início passou uma impressão de ser europeu, mas que sempre me lembrou um pouco os trejeitos literários de Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa.

Narrado em primeira pessoa, O Silencieiro mostra a busca incessante de um personagem sem nome e descrição pelo silêncio. Nem mesmo o cenário é dignificado: o pouco que se sabe é que é masculino, futuro escritor e tem um amigo chamado Besarión, a quem direciona muitas de suas falas, além das icônicas Leila e Nina. O único excesso na obra de Benedetto é o barulho mental que ela causa no protagonista e um pouco em nós, leitores.

O ruído dos veículos, das festas ao redor e até do rádio incomodam tanto que, por diversos momentos, consegui entender toda a neura e sensibilidade. A angústia de uma luta sem sucesso, como se a solidão fosse a única solução para tudo isso. Reclamar já não é mais suficiente, pois é preciso se isolar e falar do assunto até se cansar. Em uma sociedade onde explanar tudo é o melhor caminho, o silêncio chega a ser uma tortura.

E não estamos falando apenas do silêncio verbal, mas também daquele em que guardamos tudo na mente antes de sair expondo por aí o que sentimos ou pensamos. Até as palavras escritas em um papel se tornam um grande risco, pois incomodam tanto quanto o ruído delas saindo pelas bocas confusas. O que nos resta então? Buscar alternativas para não enlouquecer e viver em paz consigo mesmo.

“Consequentemente, a música, que é som, quando é música imposta se transforma em ruído.”

O Silencieiro

Fonte: Skoob

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