Home

Degas, Renoir e o Relógio de Orfeu - Simon Goodman

Relatos ficcionais e verídicos sobre o Holocausto se perderam com o passar dos anos, mas é impressionante ver como uma leitura sobre um dos períodos mais violentos da história mundial ainda é capaz de comover. A luta de Simon Goodman para recuperar a coleção de arte de sua família é um relato biográfico de como os nazistas destruíram a humanidade de diversas formas.

Enquanto A Cor da Coragem disponibiliza um resumo de um polonês, O Diário de Anne Frank traz a visão de uma judia. Alemães também já tiveram a chance de deixar suas impressões sobre a Segunda Guerra Mundial em Nada de Novo no Front, mas Degas, Renoir e o Relógio de Orfeu foi escrito por um inglês, com origens judias. O que Goodman teria para nos ensinar?

Primeiramente, temos que levar em consideração a dedicação e persistência do autor e toda a sua família. Goodman teve uma infância confusa e demorou muito tempo para assimilar que as longas viagens de seu pai eram, na verdade, o primeiro passo de muitos outros que precisariam ser dados nesta investigação sem fim.

Um dos detalhes que deverão chamar a atenção dos leitores é sobre o tamanho e valor do legado da família de Goodman, mais conhecida como Gutmann no período. Por serem donos de um dos principais bancos alemães, o Dresdner Bank, é de se esperar que as obras de arte, que incluíam quadros e objetos de renomados artistas, como Edgar Degas e Pierre-Auguste Renoir, tenham um valor incalculável.

Desde a primeira página, o autor relembra que a busca incessante pelas obras perdidas vai além do valor financeiro. Em suas épocas de riquezas, os judeus acumulavam esses itens de grande valor como forma de coleção e apreço pela arte. A herança clássica e luxuosa, além de tudo, carregava o poder e importância da família Gutmann, já que os relatos demonstram que eles tiveram muita sorte durante o Holocausto, pois, de certa forma, tiveram menos prejuízos devido a influência que possuíam por causa da fortuna.

A busca de Goodman tem início após a morte de seu pai e, pasmem, ainda não terminou. Seu último relato mostra que, apesar da felicidade em ter recuperado a grande maioria dos objetos, a investigação nunca vai acabar. Essa afirmação chega a ser chocante, pois as obras se perderam nos mais diversos territórios, sendo recompradas, roubadas e até expostas em espaços famosos, sem nem ao menos verificarem a sua origem.

As sequelas ainda deixam cicatrizes naqueles que viram o sofrimento de suas famílias. Apesar da narrativa de Degas, Renoir e o Relógio de Orfeu ser bem sucinta, consegui sentir o tamanho da dor e decepção da família a cada página. Os relatos são tão fiéis que é quase impossível não se emocionar. Foi uma leitura cansativa, confesso, mas bastante recompensadora. Finais felizes sempre caem bem.

No início, alguns me lembraram: “Você não pode mudar o passado.” Muitos amigos sugeriram que eu seguisse em frente, que nada de bom viria da insistência no passado. Mas e se o passado não tivesse acabado? Na verdade, descobri que minha história familiar não estava me ofendendo, mas sim me impulsionando a seguir em frente. No meio da noite, eu me sentava de repente, percebendo que ainda havia muito a ser feito.

Degas, Renoir e o Relógio de Orfeu

Fonte: Skoob

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s