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Lueji O Nascimento de Um Império - Pepetela

Quatro séculos separam as duas mulheres de Lueji: O Nascimento de Um Império, do escritor angolano Pepetela. A narrativa, que conta as semelhanças de Lu e Lueji, traz uma reflexão que não cabe aqui nenhuma introdução. Assim como a obra é crua e desperta curiosidades por ser literatura africana e escrita por um branco, a construção de pensamentos cabe a cada leitor.

Sua magnum opus é, acima de tudo, uma trajetória de tradições e identidades culturais. A não-linearidade na linha do tempo de Pepetela é um fato curioso, pois é abordado de forma sutil e sem tantas firulas. A Lunda, tão citada nas mais de 400 páginas, não deve ser confundida com a atual Luanda, capital da Angola, transformando assim a obra em uma verdadeira aula de História Mundial.

As guerras africanas foram pouco citadas nos livros e nas salas de aula, mas nem por isso perdem sua importância. Em Lueji: o Nascimento de Um Império, temos a exemplificação de como os povos e tribos se organizavam, especificamente no Reino de Lunda. Com o assassinato de Kondi pelo próprio filho, Lueji se vê obrigada a comandar o trono que nunca desejou e a enfrentar guerras que nunca quis. 

Em paralelo, temos Lu. Uma dançarina que ama o que faz, mas que precisa provar a si mesma que é capaz de representar a história de Lueji em um espetáculo de dança. Passado e presente se encontram e, pasmem, o fim da guerra está longe. As brigas envolvem bailarinos, trilha sonora e um diretor tcheco que não entende a essência africana que todos querem ver.

Cada um com sua guerra e seus dilemas, se misturando entre as páginas e se perdendo no tempo. Compreender a densidade de Pepetela requer uma leitura minuciosa e paciente, levando em consideração que é um autor de poucos diálogos e muitas descrições. Isso inclui desde o tom negro-azulado dos personagens até das cenas de amor em meio à natureza.

Talvez seja exatamente isso que garanta a naturalidade e simplicidade de Lueji: o Nascimento de Um Império. O talento irreverente de Pepetela vai além da inspiração em um mito africano, o uso do vocabulário angolano transmite um senso de regionalidade que poucos autores conseguem. A abordagem do feminismo e da força da mulher em meio aos principais conflitos demonstra que o leitor atual está pronto para respeitar o espaço delas.

Além disso, quem se aventura com o autor, realmente consegue se imaginar em Lunda ou Luanda, no clássico ou no moderno. Não à toa, Pepetela é considerado um dos principais expoentes da sua geração na literatura angolana, dividindo espaço e notoriedade com outros nomes de peso, como José Luandino Vieira e Ondjaki. Convencionalismo mesmo só se for para os próprios angolanos, já que a impressão que se tem é de que tudo é fora da curva.

A sabedoria dum homem está em aproveitar tudo o que lhe ensinam – disse Lueji. – E qualquer pessoa pode nos ensinar alguma coisa.

Lueji: O Nascimento de Um Império

Fonte: Skoob

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