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Papillon o Homem que Fugiu do Inferno - Henri Charrière

Depositei meus olhos sobre a imagem do francês Henri Charrière na terceira idade e nem consegui acreditar que estava olhando o mesmo cara com quem troquei diálogos durante quase 20 dias. Quem vê, hoje, seus cabelos grisalhos e olhos caídos nem imagina que o tempo foi generoso, nem parece que as marcas em sua face são de sofrimento, em vez de velhice.

É engraçado como um livro pode trazer tantas memórias boas (e também ruins) dentro de mim. Enquanto me aventurava com o romance autobiográfico de Papillon: o Homem que Fugiu do Inferno, fui lembrando que a ficção e a realidade são muito próximas, confundindo até os mais experientes e incrédulos.

Você provavelmente deve se lembrar do clássico filme Um Sonho de Liberdade, com os atores Tim Robbins e Morgan Freeman, também conhecido como o fantástico conto Primavera Eterna, do livro Quatro Estações, do norte-americano Stephen King. É a história emocionante de um homem preso injustamente e que planeja sua fuga da prisão, trazendo semelhanças com a triste narrativa de Charrière.

Condenado à prisão perpétua por um assassinato que não cometeu, esse francês foi um dos poucos condenados que conseguiram fugir da famosa prisão localizada na Ilha do Diabo, em Guiana Francesa. Os relatos, escritos em forma de diário, são uma pequena amostra do martírio que é ser acusado por algo que não fez e como o sistema prisional é assustador.

A esperança e a força de vontade de Papillon (borboleta em francês), como era conhecido nas prisões, é exposta em cada página. Percebe-se que nem a mais violenta dor foi capaz de tirar o ânimo desse francês, apesar das fugas fracassadas, das torturas sofridas, das felicidades passageiras e, principalmente, da (in)certeza de que isso nunca teria fim.

Outra analogia a ser levada em consideração é a relação de Papillon com Vigiar e Punir, do também francês Michel Foucault. Aqui, a prisão vai além de um confinamento entre quatro paredes, pois nada mais é que uma representação de todas as coisas que serão brutalmente arrancadas de você. Essa culpa por criar mais delinquentes pode, sim, ter origem francesa, mas nem a pior punição será capaz de regenerar uma pessoa.

Assim como a maioria dos diários, sinto que o autor não foi além do comum, dando uma sensação de vazio em alguns momentos. Há de confessarmos que Charrière não economiza detalhes e, por isso mesmo, se torne uma leitura cansativa e obsessiva por um final feliz. Seria Papillon uma obra ruim? Não, mas requer paciência, atenção e um bocado de persistência.

Papillon: o Homem que Fugiu do Inferno

Fonte: Skoob

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2 pensamentos em “Papillon: o Homem que Fugiu do Inferno (Charrière, Henri)

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