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Passarinha - Kathryn Erskine

A infância costuma ser um período de boas lembranças para a maioria dos adultos. Em alguns casos, no entanto, ela pode ser um pouco conturbada. Essa não é a primeira vez que leio uma obra narrada por uma criança, no entanto, é a primeira em que a personagem principal, Caitlin, é portadora da Síndrome de Asperger, semelhante ao autismo no que se refere às dificuldades em se relacionar, mas que se diferencia por apresentar falas compreensíveis.

Passarinha foi escrita pela norte-americana Kathryn Erskine, que se baseou em outro tema para contar a história de uma criança de 10 anos com Asperger que acaba de perder seu irmão mais velho, Devon, em um tiroteio. O famoso massacre na Virginia Tech University, em 2007, foi a base para que Erskine desenvolvesse a narrativa, fazendo uma analogia ao comportamento de Caitlin para a situação.

As dificuldades de interação com as pessoas é uma das principais características da Síndrome de Asperger. Esse é um dos pontos mais trabalhados em Passarinha, pois as atitudes de Caitlin ao ocorrido é exatamente a condição comum de quem possui o transtorno. É impressionante saber que um tema como esse seja tão pouco discutido e abordado nas escolas, em casa e no trabalho.

Raro as vezes em que as novelas tentaram incluir personagens autistas em suas produções, temos que concordar que a população ainda desconhece sobre o assunto e acredito ainda que, nós, brasileiros, não estamos preparados para enfrentar qualquer situação de choque, como desastres naturais e acidentes de grande proporção, por exemplo. Humanizar essas pessoas é mostrar que todos somos iguais, independentemente das limitações de cada um.

Ainda existe também uma boa referência do clássico O Sol é Para Todos, da norte-americana Harper Lee, que também tem uma menina jovem próxima ao irmão mais velho e que são criados pelo pai. Mais do que tudo, a tolerância e a compreensão com o próximo, abordados na obra de Lee, também são citados em Passarinha, sendo uma das motivações para que cheguemos a última página com expectativas para um final feliz.

Dizem que a notoriedade de uma obra está relacionada a quantidade de páginas, mas posso dizer com propriedade que Passarinha é uma leitura rápida, mas profunda. Traz reflexões, risadas, lágrimas e compaixão; tudo ao mesmo tempo. É um livro que desperta bons sentimentos e traz muitas lições de vida, sem ser moralista. Com certeza, merece todos os prêmios que recebeu e o reconhecimento de mais pessoas. Be the next!

“Às vezes eu leio os mesmos livros uma vez atrás da outra. O bom dos livros é que as coisas do lado de dentro não mudam. As pessoas dizem que não se pode julgar um livro pela capa mas isso não é verdade porque a capa diz exatamente o que tem dentro. E não importa quantas vezes você leia aquele livro as palavras e imagens não mudam. Você pode abrir e fechar os livros um milhão de vezes que eles continuam os mesmos. Têm a mesma aparência. Dizem as mesmas palavras. Os gráficos e ilustrações são das mesmas cores.”

Passarinha

Fonte: Skoob

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