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Menino de Ouro - Abigail Tarttelin

A concepção de família feliz está arraigada no subconsciente das pessoas em analogia a um comercial de margarina, como se essa estrutura definisse o significado da palavra “convivência familiar” ou “harmonia”. Jamais imaginaríamos que a maioria de nós temos definições diferentes para exemplificar quem são as pessoas que dividimos o mesmo teto.

Dizem que toda família tem um segredo. No caso da família Walker, esse é um tanto quanto inesperado. Mas, antes que você julgue Menino de Ouro, da britânica Abigail Tarttelin, espero que você entenda que existem muitos livros sobre conflitos familiares, só que poucos abordam a sexualidade e desmistificam o assunto de verdade.

“Sempre me parece estranho como as pessoas reparam tão pouco na vida das outras. Uma coisa boa nisso de ser solitária é que eu observo muito, porque estou do lado de fora de tudo, sem nada para fazer, exceto observar e descrever em poesia tudo o que vejo.”

Tive uma surpresa ao descobrir que essa obra não é sobre homossexualismo. A premissa de Tarttelin dá a entender que a imagem perfeita de Max, o personagem principal, é nada mais que uma discussão sobre o universo LGBT, mas me enganei. A profundidade de Menino de Ouro está na abordagem sobre a intersexualidade, que está mais relacionado com o físico do que o emocional.

A começar por Max, que tem um nome unissex e faz jus a exatamente o que ele é: um intersexual, que nasceu com os dois conjuntos de cromossomos, XX e XY, sendo, ao mesmo tempo, um menino e uma menina (ou nenhum dos dois). Quem vê do lado de fora, enxerga um bom aluno, inteligente, atleta e simpático, sem nem imaginar que a insegurança sobre sua sexualidade se tornou um problema, deixando-o com medo de rejeições.

“Percebo que o medo não tem nenhuma utilidade. Se você entra em pânico, isso não o leva a lugar algum. Você só acaba perdendo pessoas e oportunidades e a chance de conseguir o que quer.”

Além de Max, outros personagens narram a história. Karen, sua mãe, é uma advogada renomada, enquanto Steve, seu pai, é um homem importante concorrendo a um cargo público. Daniel, o filho caçula, também tem um papel decisivo em Menino de Ouro. Archie, a médica; Sylvia, o amor de adolescente; Hunter, o amigo traidor. Todos eles fazem parte do cotidiano do personagem principal e aparecem na narrativa em forma de locutores.

Mesmo sem ter uma noção clara das descrições de Tarttelin, Menino de Ouro é uma daquelas obras que você consegue se transportar do papel e viajar com a imaginação. O tom de voz de cada um é único, e também é possível imaginar as angústias e alegrias com bastante clareza. Talvez seja por isso que a escritora tenha cativado tantos leitores. Inclusive eu.

Menino de Ouro

Fonte: Skoob

 

 

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