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O Homem que Passeia - Jiro Taniguchi

Bom, tenho que admitir que esse livro me atraiu principalmente pelo seu título, que a priori pode soar um tanto simples: O Homem Que Passeia. E talvez seja essa simplicidade a chave dos momentos mais importantes e marcantes de nossas vidas, como um abraço daquele amigo que você não via há muito tempo ou então um beijo da pessoa amada. São acontecimentos como esses que podem ser classificados como fugazes, mas se observados de uma ótica diferente, se tornam acontecimentos vulcânicos.

É dessa forma especial que gostaria de classificar essa obra de Jiro Taniguchi, que foi um grande roteirista e desenhista japonês. Em vida, recebeu dezenas de prêmios e ultrapassou os oceanos, sendo elogiado até pelo renomado diretor Guilhermo Del Toro, que o chamou de “o poeta do mangá”.

Jiro Taniguchi talvez seja o mais “europeu” dos desenhistas nipônicos, mas suas histórias fizeram e ainda fazem sucesso no velho continente. Infortunadamente, as terras brasileiras não tiveram o prazer de se deliciar com todas as suas criações, mas, graças a Devir, pudemos receber a honra de experimentar O Homem Que Passeia e ainda sermos tocados pela maneira diferente de se fazer mangá.

Eu, como leitor ávido desse gênero, conheço como funciona a grande maioria desse tipo de literatura: ação para chamar a atenção do meninos e romance para atrair as meninas ou vice-versa. Porém, hoje em dia, há uma gama ainda maior de opções e temos subgêneros para todos os tipos de gostos, idades e opiniões.

Taniguchi está mais próximo para que os franceses chamam de “nouvelle mangá”, que utiliza grandemente o cotidiano como tema. E não é que ele faz isso perfeitamente,? Ao registrar em suas páginas os “passeios” que realiza, contando o seu dia a dia, desde sua ida ao trabalho até o passeio que faz com o seu cachorro, nos identificamos.

Ao contrário da maioria das narrativas, nesta daqui não vemos monstros para se derrotar, tampouco princesas para se salvar, ou então nem um duelo final de luta que salvará a vida da humanidade. O que há nas 232 páginas desse mangá em formato original japonês é a realidade e a simplicidade de uma vida de um ser humano normal, como eu ou você. Mas, não espere ver passeios grandiosos para parte inóspitas do mundo ou grandes aventuras.

Eu gostaria de deixar aqui um conselho, que foi o mesmo que dei para minha namorada: não leia apenas os balões de diálogo presentes nas páginas. Sinta o papel, observe como o autor se preocupou com a riqueza de detalhes. A forma como ele desenha a grama que deita nas ruas é tão surreal que sinto como se pudesse estar lá caminhando e passeando com ele.

Somente após esse exercício que você terá entendido o que Jiro Taniguchi quis transmitir com sua obra. Em alguns dias, 11 de fevereiro de 2018, faz exatamente um ano que o mundo perdeu a sua genialidade e talento. E, para homenageá-lo, vou encerar esta resenha com uma citação do mesmo em sua entrevista para Jean- Philippe Toussaint, escritor, cineasta e fotógrafo belga:

“Quando caminhamos devagar, podemos descobrir coisas fugidias. São, claro, coisas ínfimas, acontecimentos pequenos que nos enriquecem e, […] diria até que as vezes nos deparamos com coisas que nos fazem sentir plenamente o prazer da vida.”

Resenhista: Lucas Gonçalves

O Homem que Passeia

Fonte: Skoob

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