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A Mocinha do Mercado Central - Stella Maris Rezende

Existem algumas leituras fast food e outras um pouco mais gourmet. Embora a segunda seja mais prestigiada pelo público, devo dizer que, às vezes, pequenas doses literárias são melhores do que calhamaços. Em três dias, me aventurei com A Mocinha do Mercado Central, da mineira Stella Maris Rezende, vencedora do Prêmio Jabuti em 2012.

Em pouco mais de 100 páginas, conhecemos Maria Campos. Ou então, Selma Gilda Nídia Miriam Simone Teresa Zoraida Maria Campos, filha de Bernardina e pai desconhecido. Mocinha destemida, sonhadora, apaixonada por Selton Mello e viajante. Sua amizade com Valentina Vitória, uma aficcionada por nomes e seus significados, fez com que as dificuldades da vida se transformassem em oportunidades.

Afinal, já pensou você ser quem quiser apenas mudando de nome? Hoje, sou Luciane, mas amanhã eu sou Renata, Juliana ou Dalila. Esse é o dilema de Maria, que a cada cidade que passa, é uma personagem única. Suas narrativas são recheadas de surpresas, aventuras e algumas enrascadas, mas todas relacionadas ao nome que escolhe, como Simone, “aquela que escuta”, ou Teresa, “a que carrega as espigas de trigo”.

E é exatamente ao fato de ser quem quiser, apenas mudando de identidade, que descobrimos a habilidade de atuação e interpretação. Seria Maria uma atriz? Quantas vezes nos passamos por outra pessoa, apenas mudando o tom de voz, vestimenta ou até atitudes? Maria, ou Selma, Gilda, Nídia, Miriam, Simone, Teresa e Zoraida, são apenas pseudônimos que usamos, com ou sem consentimento, para que possamos ser, ao menos uma vez, aquilo que sempre quiséramos.

A simplicidade na escrita de Stella também é algo a ressaltar. O regionalismo mineiro, cheio de trejeitos como “uai” e “bão” passa longe, mas logo se vê um linguajar bem típico. Você sente que é literatura brasileira e das boas, com direito a personagens únicos e lugares que te trazem memórias, mesmo que você nunca os tenha visitado.

Outro ponto é para quem não abre mão de explorar a imaginação durante a leitura. O ilustrador francês Laurent Cardon é quem dá asas para qualquer um ir além das palavras. Talvez seja isso que deixe A Mocinha do Mercado Central tão atraente e emocionante: Maria Campos não tem cor, mas tem traços de sofrimento, medo e vontade de ser todas aquelas que deseja em uma só. Lido e aprovado!

A Mocinha do Mercado Central

Fonte: Skoob

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