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Os Caminhos Para a Liberdade - Colson Whitehead

A consagração de Doze Anos de Escravidão na premiação cinematográfica mais importante da história nos traz uma reflexão muito curiosa: as narrativas sobre as trajetórias dos negros ainda é uma pauta pouco falada e que só faz sentido quando dita pelos próprios. O diretor Steve McQueen era o único que poderia traduzir a sensibilidade do filme, assim como Colson Whitehead representa o espírito da escravidão em Os Caminhos Para a Liberdade.

O fato de ter nascido norte-americano, estudado na universidade de Harvard e morado em um bairro nobre de Nova York dá uma impressão de que Whitehead seja um privilegiado. E mesmo que fosse, quantos deles ainda brigam por seus passados, sejam na política, economia, educação ou simplesmente literatura? O prestígio de ser um vencedor do Prêmio Pulitzer só mostra a relevância e atemporalidade de sua obra para a sociedade; pouco importa se Colson é mais um que nasceu em berço de ouro (ou não).

“Aquilo era totalmente coisa de gente branca: construir uma escola e deixá-la apodrecer, fazer um lar e estar sempre longe.”

A narrativa cresce em torno de Cora, uma escrava que decide fugir da plantação de algodão em que vivia. Uma jornada recheada de sofrimento, fome, tristeza e, acima de tudo vontade de ser livre. Aqui, nem mesmo o medo de ser encontrada por seu violento dono a faz perder a coragem de viver como uma pessoa normal. Em Os Caminhos Para a Liberdade, o termo “negro” perde a vez para “pessoas de cor”, mostrando uma abordagem diferente para os personagens, que constroem a fuga com criatividade.

No entanto, acho que a notoriedade que o autor ganhou devido a força e mídia da sua obra literária fizeram com que Os Caminhos Para a Liberdade não ultrapassasse mais barreiras. Diferentemente de O Sol é Para Todos, da também vencedora de Pulitzer, Harper Lee, que apesar de ter um enredo totalmente diferente, causa uma sensibilidade única e díspar que não consigo explicar.

“Os homens começam bons e então o mundo os deixa malvados. O mundo é mau desde o início e fica pior a cada dia que passa. Exaure você até que você só sonhe com a morte.”

Talvez seja por isso que as minhas expectativas tenham ido por água abaixo. Dias atrás, vi uma discussão sobre as importâncias que denominamos para os livros e que, naturalmente, servem para qualquer coisa em nossas vidas: a falta de afinidade com o outro, neste caso, os personagens, fazem certas coisas soarem como perda de tempo. E mesmo que a minha nota para Os Caminhos Para a Liberdade tenha sido mediana, isso não faz com que ela perca sua relevância.

O momento atual é bem importante: negros e todas as outras minorias que sofrem preconceitos estão ganhando espaço e voz para se defenderem. Até A Forma da Água, filme vencedor do prêmio principal do Oscar deste ano, mostra que o discurso e motivo da luta não é mais a liberdade, e sim o direito de ser quem você quiser. Amém.

Os Caminhos Para a Liberdade

Fonte: Skoob

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