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Eu Sou a Lenda - Richard Matheson

2018 tem sido um ano um tanto quanto diferente para mim. Resolvi escolher minhas leituras pelo desejo de ler do que pela quantidade; antes me privava de ler mangás ou HQs. Quando olhei para minha estante, que não tem muito espaço livre graças à minha namorada e eu que seguimos comprando livros, disse que eu sempre quis ler esse livro: Eu Sou a Lenda, do norte-americano Richard Matheson.

Talvez a cor, o formato e a qualidade de primeira que a editora Aleph deu a esse livro me instigou a escolhê-lo, mas já adianto que essa obra não é apenas um “rostinho bonitinho”. Estamos falando aqui de uma baita história de ficção cientifica e de horror.

Antes de tudo: se você tem em mente o filme estrelado por Will Smith (como eu também tinha), por favor, esqueça. Na realidade, a obra cinematográfica não tem nada a ver com o livro de Matheson; apenas houve a utilização do nome e de alguns temas que serviram de referência.

Caso você não saiba, já existiu em Hollywood outras duas versões bem mais próximas a essa obra literária, mas como o assunto aqui é o livro, então vamos lá. A história se desenvolve em um futuro onde o mundo foi atacado por um vírus impiedoso que assolou e dizimou o mundo de uma tão maneira que não sabemos se há sobreviventes, além de Robert Neville, o personagem principal de Eu Sou a Lenda que não foi atacado por esse vírus. De uma coisa já sabemos, ele não está sozinho.

“Balançou a cabeça outra vez. O mundo ficou louco, pensou. Os mortos andam por aí e eu acho isso normal.”

ATENÇÃO: alerta de spoiler

Os mortos-vivos que andam normalmente pelos noites da cidade onde Robert Neville mora são, na verdade, vampiros. Abro um parênteses aqui: talvez a falta de credibilidade desse personagem fez com que o filme de Will Smith tenha usado zumbis. Em Eu Sou a Lenda, são tratados como sub-humanos, como a escória do que restou da humanidade.

É fácil fazer vários paralelos e diversas outras comparações, mas reflitam comigo: eles não pediram para serem desse jeito. Eles são apenas criaturas que se tornaram vampiros e a pergunta que Neville faz durante o momento que estava prenso em sua casa, me ajudou a vê-los de outra maneira. Repare:

“Mas a necessidades do vampiro são mais revoltantes que as dos outros animais e as dos homens?[…] Mas ele é pior que um pai que presenteia a sociedade com um filho neurótico que acaba por se tornar um político? Ele é pior que um industrial que tardiamente cria fundações com o dinheiro que conseguiu ao vender bombas e armas para nacionalista suicidas? […] Ele é pior, então, que o editor que por toda parte preenche prateleiras com luxúria e desejos de matar? Em verdade, agora, olhem bem suas almas, queridos: o vampiro é tão mau, assim?”.

Robert Neville continua em sua introspecção filosófica que, para mim, é um dos melhores, ou talvez o melhor monólogo de todo o livro de Richard Matheson. Agora imagine: essa metáfora pode ser feita aos refugiados que os presidentes de potências mundiais. Por que eles acham que a escória da humanidade são os moradores de rua? Por que esse preconceito? Para mim, o autor fez uma obra literária de várias camadas e diversas observações e fico tão feliz em viajar com o autor.

ATENÇÃO: alerta de spoiler desligado

Gosto da ideia de imaginar Robert Neville nos dias de hoje e pensar que, os mortos que caminhariam em sua rua, não estariam realmente mortos; apenas mais vivos no mundo on-line e, morrendo assim, no offline. Estamos rodeados por pessoas mortas-vivas e a única diferença entre as pessoas do livro de Matheson e as do seu cotidiano é que elas não querem te matar (ou querem) – por enquanto.

Isso é algo muito deprimente no livro, tirando o fato de que a humanidade foi assolada por um vírus e que Robert vive em um mundo pós-apocalíptico. Tudo o que Robert deseja é uma companhia, não importa se é homem, mulher, criança ou até um cachorro. A única coisa que ele mais deseja é companhia e a a pergunta que eu me faço é: você conseguiria viver sozinho?

Para mim, Eu Sou a Lenda é um dos livros que merecem ser lidos o quanto antes. Não podemos nos deixar enganar por um filme de qualidade duvidosa. Ah, e eu queria deixar dois desafios para os futuros leitores:

1 – Desafio ouvirem todas as músicas que Neville menciona durante sua jornada;
2 – Richard Matheson não é um genial a ligar todo o título de seu livro com as últimas falas de seu herói literário, fazendo assim um conexão com a frase “EU SOU A LENDA”.

Resenhista: Lucas Gonçalves

Eu Sou a Lenda

Fonte: Skoob

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