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A Estrada - Cormac McCarthy

Dizem que a primeira impressão é a que fica, mas acho que é somente a segunda impressão que pode nos fazer mais assertivos na hora de opinar sobre um livro ou escritor. Neste caso, o meu amor à primeira vista pelo norte-americano Cormac McCarthy ainda permanece com a chama acesa. A Estrada consegue ser tão bom quanto Onde os Velhos Não Têm Vez e essa sensação me faz refletir: seria fanatismo?

Repetir a fórmula do sucesso é para poucos escritores, mas acho que o caso de McCarthy é bem diferente dos best-sellers. A narrativa é atraente e tem um jeito único de prender o leitor: o que poderia ser um desconforto para muitos, como o fato de A Estrada ter somente dois personagens principais, é, na verdade, reconfortante. Nem a presença dos coadjuvantes tira a bela conexão que pai e filho (ambos sem nome) causam durante as páginas.

“Você se esquece do que quer lembrar e se lembra do que quer esquecer.”

McCarthy também é um homem de poucos diálogos e os que têm ainda aparecem de forma tímida, confundindo o leitor. Assim como o cenário, a escrita é fria. Pontos finais marcam o estilo literário e a habilidade de contar história sem parágrafos longos. Direto e reto: assim é Cormac, vencedor de diversos prêmios de literatura, que ainda tem pouco reconhecimento.

Ao mesmo tempo em que o cenário é marcado pelo branco da neve e do frio, o cinza também parece disputar espaço para ser a cor predominante. A Estrada é, definitivamente, uma narrativa em preto e branco, cercada de destruição e esperança. Enquanto assistimos a trajetória de pai e filho tentando sobreviver em meio à fome, frio e medo, descobrimos que todos os sentimentos, sejam bons ou ruins, são despertados em nós.

“Se você descumprir promessas pequenas vai descumprir as grandes.”

A leitura, que não leva mais do que uma semana, nos dá uma sensação de estar acompanhando a narrativa por, pelo menos, um ano. A figura paterna criada por McCarthy é uma realidade que não esperamos, que não causa outro sentimento senão a compaixão. Nem mesmo o instinto assassino que a situação instiga é capaz de transformar a capacidade de um adulto e uma criança a sobreviverem sem violência, mesmo em condições extremas.

Cabe ressaltar que o final de A Estrada é um show à parte. Denominá-la como uma obra-prima parece uma expressão de fanáticos, mas a discussão é sobre o destino que McCarthy reserva para seus dois únicos personagens. É inesperado, assustador e triste, e talvez seja por isso que deixe a narrativa tão bonita e cruel.

A_ESTRADA

Fonte: Skoob

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