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Não Me Abandone Jamais - Kazuo Ishiguro

Minha última leitura tinha a promessa de que seria uma experiência incrível. Nem mesmo a expectativa e a notoriedade do autor foram suficientes para oferecer a melhor das reações. Terminei a última página de Não Me Abandone Jamais com uma sensação de abandono e frustração e não consegui acreditar que o meu primeiro contato com o último vencedor do Nobel de Literatura foi um fiasco.

Toda vez que incluo um escritor renomado na minha lista literária, sinto uma leve pressão. Na maioria das vezes, acho que a intelectualidade do dono da narrativa vai me deixar ainda mais louca do que já sou. E é nesse momento que bate o desespero, que dá vontade de abandonar o livro ou de se aventurar no primeiro spoiler que aparecer. Só para ter aquela sensação de que era só uma falha na interpretação.

Quem dera. Kazuo Ishiguro, japonês que vive na Inglaterra, é um romancista que fala demais e não tem muito a dizer. Os fãs que me perdoem, mas essa é a verdade. Acredito que tudo o que é feito com expectativas tem grandes chances de decepcionar, só que usar isso como justificativa para uma leitura mal sucedida soa como um fracasso. Desconheço os motivos que me fizeram achar isso de Não Me Abandone Jamais.

Percebo que outras poucas pessoas, uma determinada minoria, também pensam da minha forma. Kathy, Tommy e Ruth são personagens que não convencem e, assim como a capa do filme com o mesmo nome, dá a impressão de ser mais um drama pastelão. Até o Andrew Garfield, um dos meus atores preferidos desde Até o Último Homem, não me passa segurança sobre a narrativa: faz parecer um romance que faz jus às tímidas estrelas (7,2) no iMDb.

A princípio, Ishiguro faz as coisas transparecerem como um triângulo amoroso. A narrativa demora para se desenvolver e a repetição de nomes e lugares não é suficiente. Kathy é a narradora, então é sob o ponto de vista dela que você conhece a narrativa. Aqui, o universo é dividido entre cuidadores e doadores, esses últimos sendo clones da humanidade. Hailsham, o internato que incentiva a produção artística desses seres projetados, é um cenário utópico, pois simula uma vida perfeita e esconde o segredo de que todos os internos são clones.

É importante diferenciar aqui que clones possuem significados diferentes de robôs. Apesar de ambos simularem os humanos, os clones são seres geneticamente iguais. Enquanto nas telinhas a segunda parcela é reconhecida pela falta de sentimentos, em Não Me Abandone Jamais temos o excesso de afeto. A tristeza e solidão dos “doadores” por terem a finalidade de reposição, além de uma vida ilusória e curta, tem o objetivo de ensinar, filosoficamente, que a existência humana é, na verdade, passageira.

Em analogia com as nossas próprias vidas, temos um espelho embaçado, onde diariamente tentamos subornar a morte ou o fim. Ishiguro mexe na ferida de que todos buscamos um propósito para a existência, mas esse é um conflito que causa desespero. É cedo demais para ficar manipulando as atitudes em troca de uns dias a mais de uma vivência vazia. Tem horas que eu prefiro morrer mesmo.

Não Me Abandone Jamais

Fonte: Skoob

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