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Outros Jeitos de Usar a Boca - Rupi Kaur

Antes de começar essa resenha com pedras na mão, fui buscar embasamento para explicar a minha opinião sobre Outros Jeitos de Usar a Boca, da canadense (de origem indiana) Rupi Kaur, que caiu no gosto literário e acumula mais de 157 mil avaliações/leituras no Goodreads, além de muitas críticas sobre o novo jeito de fazer poemas (ou seriam poesias?) e se tornar uma best-seller mundial.

Não precisei de termos rebuscados para entender como o brasileiro enxerga a literatura e suas preferências de livros. Fui então procurar a capacidade dos leitores em interpretação de texto, onde o resultado não me causa espanto. A maioria é analfabeta, mas cerca de 65% têm dificuldades para entender o que os textos propõem e apenas 8% entendem de fato o que leem.

O reflexo do sucesso de Rupi Kaur não é derivado dessa acusação, mas é um ponto a ser discutido. Tive um amadurecimento literário devagar e incluir esse gênero na minha rotina foi doloroso, pois sempre tive dificuldades para enxergar a qualidade de uma poesia/poema. Quando percorri as páginas de Outros Jeitos de Usar a Boca, tive a sensação de superficialidade, não pelo contexto, que tem uma causa feminista por trás. E, sim, pela forma que a autora expõe suas ideias.

Observando as avaliações de Milk and Honey (nome original) no Goodreads, percebo que o calo é mais embaixo. Apesar da nota 4,1 (considerada uma boa média sendo a máxima o valor 5), as opiniões são categóricas. Entre as que gostaria de destacar, estão o fato de sua obra se assemelhar com um Tumblr, a rede social em formato de blog que teve seu ápice em 2011. Outro fato interessante é a crítica onde dizem que “qualquer um pode ser um poeta, desde que separe suas ideias em versos aleatórios”.

Esses dois viés de discussões foram imprescindíveis para a minha avaliação do livro no Skoob, que ganhou meras 2 estrelas e meia. A impressão que se tem é que Outros Jeitos de Usar a Boca é uma história de amor contada de um jeito diferente, longe de ser uma poesia à la Ezra Pound ou Luís de Camões. A construção dos pensamentos de Kaur é quase uma prosa dividida em estrofes sem regras e versos sem ordem

Se levarmos em consideração que a construção de um poema depende de musicalidade, repetição e metáforas, enquanto a poesia é uma estrutura textual de “expressão”, temos realmente aqui uma poesia. Mas qual o peso de Rupi Kaur em comparação com outros grandes nomes desse clássico gênero? Estudiosos, por favor, me expliquem.

Sobre os conteúdos abordados, são divididos em quatro partes: a dor, o amor, a ruptura e a cura. São assuntos de senso comum, que retratam o cotidiano de mulheres que, diariamente, precisam lidar com seus medos e sonhos sobre temas como amor, violência, perda e feminilidade. A delicadeza de Rupi Kaur é o círculo que leva sempre para o mesmo ponto: a importância do amor próprio. E isso é sempre uma boa pauta, mesmo que mal apresentada.

eu não sei o que é viver uma vida equilibrada
quando fico triste
eu não choro eu derramo
quando fico feliz
eu não sorrio eu brilho
quando fico com raiva
eu não grito eu ardo

a vantagem de sentir os extremos é que
quando eu amo eu dou asas
mas isso talvez não seja
uma coisa tão boa porque
eles sempre vão embora
e você precisa ver
quando quebram meu coração
eu não sofro
eu estilhaço

Outros Jeitos de Usar a Boca

Fonte: Skoob

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