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Minha Vida Mora ao Lado - Huntley Fitzpatrick

Preconceitos literários existem em todas as suas formas, inclusive com os clássicos. No entanto, percebo que esse sentimento hostil é mais voltado para as literaturas relacionadas aos jovens, como Young Adult e New Adult, os gêneros que cada vez mais têm ganhado o mercado editorial e os leitores de todas as idades.

A temática é específica e parece que os americanos são bons nisso. De John Green a Meg Cabot, tem um autor queridinho para cada gosto e momento, desde que os cenários sejam sempre os mesmos:

– Conflitos com a família;
– Traição entre amigos;
– Dúvidas com relação ao futuro profissional;
– Busca pelo primeiro amor;
– Personagens com autoestima baixa e complexo de inferioridade;
– Personalidade influenciável;
– Excesso de dramatização dos acontecimentos;
– Descoberta da sexualidade;
– Ambiente escolar (geralmente com rixas entre populares e nerds, e prática de bullying).

Isso tudo não seria um problema, se quem bebe dessa fonte se preocupasse com outras realidades, em vez de mergulhar em um mundo que deveria ser apenas entretenimento. Quando histórias como essa passam a moldar suas atitudes e formas de se relacionar, é porque a literatura não cumpriu seu papel, que é de apenas gerar reconhecimento e não promover discussões sobre verdades absolutas.

Deixem-me explicar. Acabo de terminar a leitura de Minha Vida Mora ao Lado, da norte-americana Huntley Fitzpatrick. A obra e a autora carregam o peso do Goodreads Choice Award de Melhor Ficção Young Adult. Nitidamente, suponho que será uma leitura sem grandes aprendizados, pois a narrativa aparenta ser quase um Big Brother Brasil da ficção. Em alguns momentos, a escolha me causa vergonha e aflição.

Afinal, sou uma mulher de 26 anos e estou me aventurando com a história de uma menina rica e bem de vida que se apaixona por seu vizinho, que não tem as mesmas condições sociais que ela. Seria futilidade da minha parte se interessar por uma novela com final feliz previsto? Jamais. As experiências que a obra me proporcionaram são únicas e vão além de uma vontade de ter vivido uma vida perfeita (ou quase) como a de Samantha Reed, a narradora e personagem principal.

Como se não bastasse, o seu primeiro amor é bonito e inteligente, como a maioria das narrativas da terra do Tio Sam. Minha Vida Mora ao Lado tem tudo para beirar à superficialidade, mas a verdade é que toda a construção do pensamento e história de Fitzpatrick é, na verdade, uma lição de moral, como os contos infantis que ouvimos a vida inteira. Tem muita coisa para se aprender e refletir, vocês sabiam?

A diferença é o fanatismo que o gênero causa em alguns leitores: isso faz com que nós, os tradicionais e caretas, tenhamos um sentimento de inferioridade. Uma boa história é aquela que a gente se identifica e se comove. Não importa se faz doer, rir, chorar ou até ser indiferente, mas alguma coisa a gente tem que sentir. Só não pode ser arrogância ou qualquer outro termo que te faça ser visto como um babaca. Experiências maravilhosas são aquelas que você menos espera. 

Minha Vida Mora ao Lado

Fonte: Skoob

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