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365 dias e a tentativa de transformar um ano de vida na terceira idade em um diário. Esse é Hendrik Groen, o meu companheiro de um mês de leitura, com energia, humor e coragem para continuar vivendo, mesmo que as circunstâncias não sejam tão boas assim. A morte é algo que nem passa por sua cabeça e é curioso acompanhar sua rotina em um asilo na Capital holandesa. Risadas e reflexões estão garantidos em Tentativas de Fazer Algo da Vida, do escritor holandês Peter de Smet (sob o pseudônimo de Hendrik Groen).

“Viver não é mais que matar o tempo da maneira mais agradável possível.”

No auge dos seus 83 anos, Groen compartilha conosco o seu dia a dia agitado – em companhia de outros idosos nem tão saudáveis –  na cidade que é considerada uma das maiores metrópoles com pessoas na terceira idade, ficando atrás de países como o Japão, no entanto, sendo o segundo melhor para envelhecer. Quisera eu envelhecer como esse simpático personagem, que tem ternura e positividade para enfrentar os problemas de saúde e encarar as preocupações que nem o Alzheimer puderam fazer esquecê-los.

Assim como os jovens, os idosos também se identificam entre si e montam grupos. O principal objetivo de quem vive em um asilo é preencher o dia da forma menos monótona possível. Os relatos de Groen envolvem as pessoas a quem deseja manter distância, assim como daquelas em que faz questão de fazer companhia. Viver confortavelmente inclui estar cercado de pessoas boas e que te fazem bem: leve isso como conselho de vida, antes que seja tarde demais.

“Minha análise: envelhecer é um desenvolvimento ao contrário do que tem um bebê até a vida adulta. Fisicamente, você parte da autonomia para cada vez mais dependência. Uma prótese de quadril, um marca-passo, uma pílula aqui, outra ali. É um beco sem saída. Se a morte demora demais para chegar, você acaba como um bebê velho e incompreensível, de fraldas e meleca no nariz. O caminho de ida, de zero a dezoito anos, é lindo, desafiador, excitante: você está definindo sua própria vida. Por volta dos quarenta, você é forte, saudável e poderoso. Um período fantástico. Mas infelizmente a gente só se dá conta disso depois que a decadência já se instalou há um tempo, quando as perspectivas, lenta e silenciosamente, se tornam menores, e a vida, mais vazia. Até que as atividades diárias ganham a proporção de um biscoito e uma xícara de chá.”

Entre os relatos mais engraçados, está a criação do clube Tovemantomo, também conhecido como Tô-velho-mas-não-tô-morto. Uma forma de reunir as pessoas e viver aventuras antes que a morte chegue, mesmo que o cansaço e a idade sejam um empecilho. Cercado de humor, Groen transforma Tentativas de Fazer Algo da Vida em um interessante Big Brother dos velhinhos.

Apesar de estar cercado de acontecimentos engraçados, a rotina de Groen também é acompanhada de tristeza. Desde as lembranças de um passado infeliz como a lamúria de perder pessoas queridas em seus últimos anos de vida. Talvez seja por isso que criemos tanta empatia pelo autor: estamos todos esperando a morte e tentando aproveitar os dias da melhor forma possível.

“Quando se fica velho, assim como acontece com as crianças, perdem-se constantemente as coisas; a diferença é que já não temos a mãe para saber onde tudo está.”

Existe também uma outra reflexão dolorosa: a quantidade de idosos abandonados por suas famílias e pela sociedade é um número crescente e assustador. Diversos fatores são necessários para se envelhecer bem: renda, saúde e ambiente favorável. Em reportagem de 2016 pelo portal Exame, o Brasil é o 56º quando o assunto é melhores condições de vida. Devemos nos preocupar com isso?

Com tantos livros sendo lançados pelas editoras, esse com certeza foge dos padrões de um começo, meio e fim. A vida de Hendrik Groen está longe de acabar e deixa um final triste e otimista ao mesmo tempo. Que todos nós possamos envelhecer e experimentar coisas novas com humor e sarcasmo, e em boas companhias.

“Tanta gente se acha, considera aquilo que faz muito importante. Ninguém é mais que um grão de areia no deserto, uma poeirinha no universo.”

Obs.: esta é a melhor quote de Tentativas de Fazer Algo da Vida. Obrigada, Hendrik.

“A humanidade nem sempre entregou o leme nas mãos das pessoas mais sensatas. Hitler, Stálin e Mao, só para citar alguns, são juntos responsáveis por uns duzentos milhões de mortos, e isso sem armas nucleares. Se existisse um prêmio para a criatura mais estúpida da Terra, o homem certamente estaria entre os indicados.”

TENTATIVAS_DE_FAZER_ALGO_DA_VIDA

Fonte: Skoob

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