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O Ódio que Você Semeia - Angie Thomas

Nasci em 1991, sou descendente de japoneses, filha de agricultores e cresci em uma cidade com grande predominância de pessoas da minha etnia Não tenho aptidão com a área de Exatas e também fujo daquela regra de que “todo oriental tem boas condições financeiras”. Estudei a vida inteira em escola pública e, quando cheguei na faculdade, ganhei uma bolsa de estudos.

Muita gente torce o nariz para essa história, mas é a mais pura verdade. Quando a gente percebe que o bullying vai além de piadinhas de mal gosto, vê que as semelhanças da ficção com a realidade são tristes coincidências. Talvez seja por isso que eu tenha me identificado tanto com O Ódio Que Você Semeia, da norte-americana Angie Thomas.

Estamos falando de Starr, uma garota negra que vive em um bairro do subúrbio chamado Garden Heights com seus pais e irmãos. Aos 16 anos e no auge de sua adolescência, teve a infelicidade de ver o seu melhor amigo ser assassinado por um policial durante uma blitz. A incapacidade de reagir após os acontecimentos demonstram que o silêncio é uma triste situação que nos obriga a ficar calados.

“Quando se vê o quanto uma pessoa está fragilizada, é o mesmo que vê-la nua, e não tem como olhar para ela do mesmo jeito.”

Starr estuda em uma escola com predominância de pessoas brancas e de classe média. A pressão por uma vida normal e o medo de ser julgada pelas verdades que acompanham a sua vida fazem com que fique calada durante este triste episódio. Khalil é abordado pela imprensa como um bandido e, mais uma vez, o policial sai como o bonzinho da história.

Apesar de nunca ter passado por um episódio cruel como este em minha vida, fiz um exercício de empatia ao ouvir os relatos de sofrimento de Starr. Namorar uma pessoa de outra raça, estudar em um local que não condiz com o que pensam de você, ter uma vida mediana e simples, esconder os seus hábitos e rotinas por incompreensão dos outros, etc. Todos essas pequenas coisas incomodam a quem se sente uma minoria.

Negros, asiáticos ou qualquer etnia que não esteja em seu País de descendência precisam de um eterno exercício de aprendizado ter que lidar com esses episódios. O racismo, que está em pauta, mas ainda é tão pouco falado, precisa ser o tema de discussões diárias para que todos saibam o que fazer e o que não fazer diante de situações que não deveriam ser abordadas.

“Funerais não são para gente morta. São para os vivos.”

Como o próprio título do livro diz, “o ódio que semeamos” é uma dura prática que fazemos diariamente. Raças, religiões, opções sexuais, condições financeiras, entre outras diferenças que fazem parte do nosso cotidiano também são pautas que devem ser discutidas para evitar que os erros se repitam, como o relato de Starr uma adolescente que tinha um futuro pela frente.

A sensibilidade de Angie Thomas em mostrar que adolescentes e adultos precisam ampliar a sua capacidade de reflexão sobre estes assuntos mostra que O Ódio Que Você Semeia é uma leitura essencial e saudável, nos lembrando que o preconceito e o racismo são duas coisas que ainda precisamos combater o mal pela raiz.

O Ódio Que Você Semeia

Fonte: Skoob

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