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Em Nome de Quem? A Bancada Evangélica e Seu Projeto de Poder - Andrea Dip

Não há dúvidas de que, a cada quatro anos, o Brasil escolhe seus representantes políticos, que deveria legislar em nome da nação e a favor dos interesses do País que representa. No entanto, enfrentamos denúncias seguidas contra nomes fortes do cenário político nacional; tais nomes tradicionais que eram referência e agora precisam se defender de diferentes acusações.

O resultado? Um povo brasileiro que, em geral, foi perdendo as esperanças nesses “políticos profissionais”, buscando assim escolhas pouco ou nada ortodoxas para que alguém seja o seu representante. Entre essas escolhas, temos cantores sertanejos, ex-jogadores de futebol e até palhaço (me contive com as piadas).

A jornalista Andrea Dip, em seu livro reportagem Em Nome de Quem? A Bancada Evangélica e Seu Projeto de Poder, lançado pela editora Civilização Brasileira (do Grupo Editorial Record) em 2018, busca outro enfoque: a discussão sobre quem escolhe os “homens da fé”, vulgo líderes das maiores religiões brasileiras como “projeto de poder”, como diz o subtítulo de sua obra.

Não é de hoje que a religião e a política se misturam. Quando penso nessas duas vertentes, logo lembro da passagem bíblica que se refere a quando Jesus de Nazaré é questionado sobre se os judeus deveriam ou não pagar impostos. Ele responde: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.”

Entretanto, mais ou menos depois dessa frase, as relações entre religião e política andam cada vez mais estreitas. Dip faz um belo trabalho de pesquisa ao levantar informações desde o começo sobre essa jovem união entre os dois setores que movimentam tanta paixão e cegueira.

Indo um pouco além, a escritora apresenta para seus leitores algumas conexões que esses “homens da fé”, que deveriam representar não apenas a sua parcela de eleitores, mas ao Brasil como um todo, mostrando as acusações que a grande maioria deles enfrenta, indo desde corrupção passiva, calúnia, injúria e até incitação ao estupro.

“Por ora, é importante apenas garantir que a canalhice santificada, realizada e legitimada em nome de Deus seja desmascarada para que, no futuro, não se respita como farsa.”

Em resumo, Andrea Dip coloca o dedo na ferida e tira o véu que nunca mascarou a canalhice desses pastores políticos, que se utilizam da ferramenta pública e das organizações que eles representam. Esta é uma obra que põe luz e demonstra como funciona as divisões e discursos para eleger “os seus”, trazendo um falso deslumbre do que desejam as organizações religiosas dentro da política nacional.

Mesmo com tudo isso, Dip não coloca todos no mesmo “saco”: ela entende e demonstra que nem todos são lobos em pele de cordeiros. Um livro que merece ser lido, ainda mais nesse momento pré-eleitoral que pode ser um dos mais sombrios de nossa jovem democracia. Como diria Jesus: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

Resenhista: Lucas Gonçalves

Em Nome de Quem? A Bancada Evangélica e Seu Projeto de Poder

Fonte: Skoob

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