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O Silêncio - Shusaku Endo

Antes de tudo, é importante explicar que a aquisição deste livro foi condicionada por quesitos importantes:

1- Esta obra levou Martin Scorsese a realizar uma adaptação cinematográfica;
2- A obra retrata o Japão do início do século XVII;
3- O tema.

Para entender melhor o que motivou o escritor japonês Shusaku Endo a escrever O Silêncio, é preciso conhecer um pouco de sua vida. Endo foi batizado ao catolicismo/cristianismo aos 12 anos de idade na cidade de Tóquio, onde nasceu. Logo após a Segunda Guerra Mundial, ele decidiu continuar seus estudos no Ocidente. Na França, contraiu tuberculose, o que o deixou acamado por meses.

Logo após isso, emendou uma viagem à Palestina para estudar e entender melhor sobre a vida de Jesus. Voltando ao Japão com toda essa experiência adquirida, usou seus novos conhecimentos em suas obras. Com essa breve introdução, fica até mais fácil entender o que leva um japonês a escrever sobre a vida missionária de padres portugueses em solo nipônicos.

Em O Silêncio, Endo traz à tona a perseguição que os cristãos japoneses enfrentaram, o drama de um jovem padre em busca de viver à risca o exemplo de seu Mestre e todas as barreiras de pregar uma religião “estrangeira”. Deixo aqui o meu primeiro questionamento: é normal pregar uma religião em terras onde é proibido de se fazer? Não apenas o cristianismo, mas qualquer outra religião? Questões a se pensar.

“Qualquer um pode ser atraído pelo belo e pelo encantador. Mas pode tal atração ser chamada amor? O amor verdadeiro consiste em aceitar a humanidade quando ela esta reduzida a farrapos.”

Com o avanço da história, você consegue sentir a angústia do jovem padre missionário e a constante busca dos homens pela misericórdia divina. Endo deixa latente em seus personagens, que nos faz pensarmos que, talvez, o autor por ser um daqueles personagens em uma das províncias japonesas. Outra coisa que chamou a minha atenção é a indagação recorrente de O Silêncio sobre o desfecho de Judas Escariote e o tamanho da graça divina em relação com esse personagem tão emblemático.

Com certeza, O Silêncio é uma obra riquíssima repleta de momentos pessoais de seu autor, sendo alguns de profunda reflexão e até mesmo de teologia pessoal. Mas não se deixe enganar: não é apenas sobre religião e, sim, sobre nós, os seres humanos.

Resenhista: Lucas Gonçalves

O Silêncio

Fonte: Skoob

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