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Vulgo Grace - Margaret Atwood

Determinada a fazer parte do modismo sem dar tanto nas caras, fui me aventurar em uma das obras paralelas de Margaret Atwood, a escritora canadense que está ganhando cada vez mais espaço literário. Vulgo Grace, que causou bem menos alarde do que O Conto da Aia, fez com que esse romance não fosse deixado de lado. Aliás, ainda bem que virou minissérie e livro!

“Quando um homem cria um hábito, é difícil abandoná-lo, ele disse. É como um cachorro que desanda – depois que mata uma ovelha, o cachorro passa a gostar disso e tem que matar outras.”

Foi somente nas últimas páginas que descobri que a dona da voz que carrega toda a narrativa é baseada em fatos reais, o que me fez reagir de forma diferente no final. O que era apenas uma história chocante sobre uma mulher no século XIX passou a ser uma história inquieta e perturbadora. Até que ponto a construção de Atwood foi verdadeira?

Em seus relatos finais, a escritora ressalta que se trata de uma recriação ficcional de outra obra: Life in the Clearing, de Susana Moodie. A suposta diferença entre essa nova estrutura com a antiga permeia um assunto que nunca sai de pauta: a mulher. Enquanto uma foi retratada de forma imprecisa e provavelmente preconceituosa, a outra é protagonizada por um outro ponto de vista.

“O desconhecido é sempre mais admirável que o conhecido, e mais convincente.”

Em resumo, temos Grace Marks como a voz principal. Uma linda jovem que, aos dezesseis anos de idade, em 1843, foi condenada como cúmplice do assassinato de Thomas Kinnear (patrão) e Nancy Montgomery (governanta), juntamente com James McDermott (empregado geral). Enquanto McDermott foi sentenciado ao enforcamento, Marks foi condenada à prisão perpétua, onde cumpriu cerca de trinta anos da pena e foi perdoada posteriormente.

Com poucas linhas, muitos leitores devem criar julgamentos da personagem. O que poucos sabem é que é preciso mergulhar pelas páginas para entender todo o diálogo que existe e na personificação que a mulher do século XIX ainda condiz, de certa forma, com a realidade dos dias de hoje. Naquela época, os estudos psicológicos de assassinatos ainda estavam sendo registrados e pouco se sabe da procedência da história de Marks.

“Quando as pessoas se casam jovens, frequentemente mudam conforme envelhecem, mas como nós dois já envelhecemos, não haverá muitas decepções pela frente. Um homem mais velho já tem o caráter formado e não é provável que comece a beber ou ter outros vícios, porque, se fosse fazer isto, já o teria feito; ao menos essa é a minha opinião, e espero que o tempo me dê a razão.”

Talvez ela tenha sido uma assassina cruel ou talvez ela tenha sido uma vítima infeliz que estava na hora errada e no lugar errado. Talvez o seu passado com os pais tenha influenciado de alguma forma, já que a mãe morrera durante a viagem da Irlanda para o Canadá e o pai era alcoólatra. Talvez toda essa situação negativa e traumática tenha relação com todo o sangue derramado, mas o que não podemos esquecer é que as diversas faces que Grace Marks carrega são apenas expectativas dos leitores.

A sombra e o peso dessa figura feminina em Vulgo Grace ainda é uma incógnita. Chegar às últimas páginas e acreditar que, de alguma forma, houve um final feliz é uma sensação dúbia. Estaria eu do lado errado? Espero que não.

“O fato é que bem poucas pessoas compreendem o verdadeiro significado do perdão. Não são os culpados que precisam ser perdoados; na verdade, são as vítimas, porque são elas que provocam toda a confusão. Se ao menos fossem menos fracas e descuidadas e mais prevenidas, se deixassem de ficar se metendo em dificuldades, pense em toda a tristeza do mundo que seria poupada.”

Fonte: Skoob

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