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Nós - Ievguêni Zamiátin

Não é fácil de se deparar com um clássico que pode ser considerado como o “pai” da distopia e sair dele da mesma maneira que você começou a ler. É quase impossível, porque você começa a perceber que as suas referências nas obras ficcionais vieram somente após sua criação, como Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley ou 1984, de George Orwell, entre outros livros “obrigatórios” nesse mundo distópico.

“Se não compreenderem que levamos a eles a felicidade matematicamente infalível, o nosso dever e obrigá-los a serem felizes. Más antes de recorrermos às armas, empregaremos as palavras.”

De quem estou falando? De Nós, do escritor russo Ievguêni Zamiátin, que foi escrito entre 1920 e 1921 na antiga União Soviética e narra a vida de um engenheiro, o D-503, (sim, as pessoas não tinham nomes, apenas números) e seu estado de amor e servidão frente ao grandioso Estado Único.

Em pouco mais de 340 páginas, Zamiátin apresenta, através da perspectiva de D-503, como o Estado Único é perfeito e amoroso; e de como a ordem e a diligência de seus membros faz com que o Estado prospere frente aos seus antepassados. Com o avanço do tempo, começamos a notar que o personagem central começa a duvidar de suas convicções por causa de certas experiências que uma mulher misteriosa ocasiona em sua vida.

O cenário de Nós se baseia na distopia um Estado totalitário que acaba com o individualismo do “ser”, tirando suas principais decisões, como a hora de comer, trabalhar, dormir e até mesmo de fazer sexo ou se exercitar. O mais contraditório é que a obra foi escrita no período que Stalin estava no poder Soviético, fazendo com que o o autor fosse duramente perseguido e até chamado de traidor por suas obras. Seria uma crítica de Zamiátin ao político?

“O homem só deixou de ser uma besta selvagem quando construiu a primeira parede. O homem só deixou de ser um selvagem quando construímos o Muro Verde, quando com esse Muro isolamos nossas máquinas, nosso mundo perfeito, do insensato e repugnante das árvores, pássaros e animais.”

Sendo um marco para qualquer fã de ficção cientifica, Nós não pode faltar em sua estante de livros, ainda mais com essa edição da editora Aleph, que possui capa dura com pintura bidimensional (?) e com uma coleção de extras que valem a pena. Aliás, uma grande surpresa da obra é a crítica do jovem George Orwell sobre o livro e a carta que Zamiátin enviou a Stalin, pedindo o direito de sair da União Soviética.

Isso só me faz acreditar no quanto Nós precisa ser ainda mais conhecido para não escolhermos por lideres que não enxergam o individual de cada um de nós.

Resenhista: Lucas Gonçalves

NOS

Fonte: Skoob

 

 

 

 

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