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O Pintassilgo - Donna Tartt

Capas de livros podem dizer muitas coisas como também podem não dizer nada. Quando Leonardo da Vinci diz que “a simplicidade é o último grau de satisfação”, temos a sutil ideia de que até o vazio é capaz de nos preencher. Com uma leitura densa e paliativa ao mesmo tempo, O Pintassilgo, da norte-americana Donna Tartt, eu o convido a conhecer a minha experiência com esse romance vencedor de Pulitzer.

O primeiro ponto em discussão é para quem se atrai por tamanho: o volume, com cerca de 500 páginas, requer um bocado de fôlego. Um verdadeiro calhamaço e, portanto, garante pelo menos um mês de leitura. É, na verdade, um livro para quem tem tempo de mergulhar no cotidiano de seres humanos tão erráticos.

Depois, vem a tortura: um capítulo inicial que se desenvolve lentamente e demora para apresentar os principais personagens, entre eles Theo Decker, de apenas 13 anos. Filho único de uma mãe solteira e um pai que o abandona e só ressurge em sua vida após um acidente que mata sua mãe. Das poucas lembranças maternas que divide com o leitor, a mais marcante é a pintura do holandês Carel Fabritius, intitulada “O Pintassilgo”.

Enigmática como os pensamentos de Theo, a pintura é timidamente comentada nos capítulos, dando a entender que não é digna do título da obra. Mas quando ressurge, traz um sentimento de compaixão por vermos uma criança crescendo apegada a única e principal lembrança artística, que inclusive está relacionada ao cenário em que sua mãe falece.

A construção da história então se dá por meio de sua vida pós-luto, que começa com a estadia na casa de um amigo rico e continua em Las Vegas, junto de seu pai e sua madrasta, além de seu amigo Boris. Se pudéssemos definir uma palavra para O Pintassilgo, ela seria “perda”, pois nenhum outro vocábulo pode expressar os acontecimentos com Theo.

Quando se torna adulto, as frustrações ainda o perseguem. Desde amores mal resolvidos ou falcatruas no mercado de trabalho. São diversos momentos de encontros e desencontros, fazendo com que todos os personagens tenham papel importante na construção de Theo. Cabe ao leitor ter positividade o suficiente para enfrentar tamanha negatividade da narrativa – e tudo isso sem se afogar.

É um livro óbvio para quem tem uma vida medíocre e intrigante para quem não tem medo de viver. Escolha ou será sempre o escolhido!

“Um grande desgosto, e um que estou apenas começando a entender – não escolhemos nosso próprio coração. Não temos como nos forçar a querer o que é bom para nós ou o que é bom para outras pessoas. Não escolhemos ser as pessoas que somos.”

O Pintassilgo

Fonte: Skoob

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