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O Bem Viver - Alberto Acosta

Essa semana finalizei o primeiro livro do ano. Comecei a ler O Bem Viver: Uma Oportunidade Para Imaginar Outros Mundos, do escritor equatoriano Alberto Acosta, no fim de 2018, nas tão esperadas férias. Nada melhor que finalizar um ano tão tenso social e politicamente buscando pensar e, dessa forma, tentar construir outros mundos, né?

O livro de Alberto Acosta é difícil de ler. Difícil por nos fazer refletir todos os impactos que a colonização causou nos países do sul global, difícil por esfregar na nossa cara o quanto o capitalismo fez questão de nos dissociar da natureza, extraindo o máximo possível dela e, dessa forma, acumulando capital para pouquíssimos e distribuindo fome, pobreza e extrema miséria para centenas de milhares.

O foco principal do trabalho é questionar o conceito de desenvolvimento, que norteia a economia global hoje. Para quem é este desenvolvimento? Quando falamos de desenvolvimento econômico, é de fato para todos? Ele respeita a Natureza e os outros seres que co-habitam a Terra conosco?

“Falando claramente e sem rodeios, a economia deve subordinar-se à ecologia. E por uma razão muito simples: a Natureza estabelece os limites e os alcances da sustentabilidade e a capacidade de renovação dos ecossistemas — e delas dependem as atividades produtivas. Ou seja, se se destrói a Natureza, destrói-se a base da própria economia.”

Apesar de tanta realidade jogada na cara, O Bem Viver é um livro que nos convida a pensar outros mundos resgatando não o socialismo ocidental, mas os conceitos de “bem viver” dos povos originários da América do Sul. A partir de saberes indígenas, Alberto Acosta nos mostra que podemos resgatar nossa conexão com a natureza, percebendo que somos parte dela assim como todo e qualquer outro animal. É a partir desse olhar biocêntrico, focado no todo, e não apenas no ser humano, que conseguiremos criar uma economia “sustentável”, rumo ao pós-capitalismo.

Um bom livro para renovar as esperanças, pensar que é possível sim viver de outras formas (às vezes parece que a única economia possível é o capitalismo, né?) e, principalmente, que temos MUITO o que aprender com os povos que aqui viviam muito bem antes de serem invadidos por europeus.

Eu me recuso a acreditar que o único modo possível de vida seja um sistema que cresceu e se consolidou a partir da escravização, do extrativismo insano da América do Sul e África e da exploração do corpo de mulheres. Se você também se recusa, O Bem Viver é uma boa pedida pra te ajudar a pensar em outras existências.

“Para que serve a utopia? Serve para que eu não deixe de caminhar.” — Eduardo Galeano

Resenhista: Victória Durães (texto também disponível em seu Medium)

O_BEM_VIVER

Fonte: Skoob

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