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Todo Dia a Mesma Noite - A História Não Contada da Boate Kiss - Daniela Arbex

Em quase seis anos de blog, esta é a primeira vez que escrevo uma resenha com os sentimentos abalados por causa de um livro. Foram inúmeras as vezes que me vi surpresa e perturbada com a narrativa da escritora Daniela Arbex, em Todo Dia a Mesma Noite – A História Não Contada Sobre a Boate Kiss. É uma leitura pesada, que te faz mergulhar e afogar em um mar de tristezas que parece não ter fim.

Vou começar pelo principal fato que todos devem ter em mente ao escolher este livro: o Jornalismo no Brasil tem muitas falhas e é imprescindível que o trabalho como o de Arbex continue sendo feito. A maioria dos acidentes, sejam graves ou fatais, costumam ser esquecidos facilmente pela mídia e é impressionante como um assunto pode substituir o outro, além de tanta dor ser deixada de lado.

Logo nas primeiras páginas, o leitor consegue sentir o desespero dos relatos de pais e familiares dos envolvidos na tragédia que transformou a cidade de Santa Maria naquela madrugada de 27 de janeiro de 2013. Como não se sentir comovido com a dor de tantos sobreviventes? Cada página é uma porrada e não há nada que possa nos proteger disso. É preciso estômago para encarar!

Ao todo, a cidade perdeu 242 vidas. Muitas delas vindas de tão longe e outras de lá mesmo, a diferença é que todos tinham o mesmo objetivo: viver a vida e realizar seus sonhos. Pessoas que tiveram a pior noite de suas vidas e que a grande maioria não poderá lembrar. É difícil lembrar desta leitura de Todo Dia a Mesma Noite e não se emocionar. O coração chega a explodir, principalmente quando se descobre que existiu culpa e irresponsabilidade humana.

O que nos resta fazer? Respeitar a memória, viver intensamente e continuar acreditando que o mundo ainda pode melhorar. Desejar que nenhuma outra família tenha que saber que seu filho morreu amontoado no banheiro de uma boate em busca de ar ou que seu nome está na lista de corpos mortos espalhados no ginásio.

Sinto uma vontade imensa de gritar por cada pai e mãe que teve que abafar seu choro, que teve que enfrentar uma mídia escandalosa e que teve que continuar seguindo em frente com um vazio no peito. Lembro-me que, na época, a segurança nos espaços fechados foi muito discutida e hoje já não temos mais o assunto em pauta. Parece que vivemos sempre esperando a próxima tragédia… Espero que ela não chegue nunca mais!

Todo Dia a Mesma Noite

Fonte: Skoob

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