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Capão Pecado - Ferréz

Minha primeira viagem para o exterior deixou um aprendizado que vou levar para o resto da vida: toda cidade tem sua periferia. Neste lugar, o asfalto já não é mais tão bom e as luzes não brilham como em outros cantos; as pessoas se vestem diferentes e a realidade não parece a mesma. É assim que me senti ao finalizar a famosa Capão Redondo, do brasileiro Ferréz.

A primeira experiência Reginaldo Ferreira da Silva foi com Deus Foi Almoçar. Estava em uma fase bem próxima a cultura de periferia, onde os meus fones de ouvido ecoavam de Emicida a Racionais MC’s, mas eu não tinha nenhuma referência do que era esse mundinho que tanto falavam.

Neste ano, consegui encontrar Capão Redondo no Kindle Unlimited. Para quem não sabe, a obra tem idade suficiente para ser chamada “de maior”. São quase 20 anos desde o lançamento e é impressionante ver que a televisão não mostra nem metade do que sabemos sobre as “favelas” do Brasil.

Se você é da cidade de São Paulo, deve conhecer a famosa Capão Redondo. É um bairro do extremo da Zona Sul, conhecido por seus morros altos e vielas apertadas, além da grande população residente no local. E é por isso que Capão Pecado é tão gostoso de ler: traz proximidade a uma realidade distante de quem vive nos prédios luxuosos.

Começamos então a enfatizar Rael, um personagem que ama ler e acredita que a leitura irá ajudá-lo a melhorar de vida. Em meio a uma rotina corrida em busca do pão nosso de cada dia, ainda lhe sobra tempo para curtir a vida com os amigos. Como era de se esperar, a polícia também é personagem dessa realidade narrada por Ferréz e parece que nada mudou.

A violência, aquela que vemos na TV, é o cenário das páginas: por muito pouco, se morre com uma bala. A tristeza fica para quem fica, seja pai, mãe ou filho, afinal, ninguém aprende a ser órfão do mundo. Por isso, o que sobra em Capão Pecado é amar como se não houvesse amanhã, desde que não seja a mulher do amigo.

Com Ferréz, eu pude perceber que as rimas das músicas de hoje ainda cantam o que ele quis dizer há 20 anos. Pessoas querendo apenas uma oportunidade para crescer e, consequentemente, não passar mais fome ou frio. A gente, do outro lado, desejando que eles cresçam, porque realmente não deve ser fácil estar longe de tudo.

Se você ainda não entendeu que estamos em um país de minorias, então você não faz parte dela. E se não faz parte dela, precisa entender que cada conquista é uma vitória. Não fode, cara!

Capão Pecado

Fonte: Skoob

 

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