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De tempos em tempos, alguma obra nacional se destaca nos burburinhos literários. Geralmente com menos velocidade que as internacionais, mas de certo modo, com tímido destaque. Durante esses últimos meses, percebi que O Peso do Pássaro Morto, da paulistana Aline Bei, estava na boca do povo e não era por menos: é impossível ficar de fora dessa experiência.

“será que com o uso um dia a lágrima acaba?”

Mais do que uma obra finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, O Peso do Pássaro Morto é romance de tirar o fôlego. É uma narrativa que foge da convencionalidade, apesar do tema ser mais comum do que se imagina: perdas. Em ordem cronológica, temos a linha do tempo de uma mulher dos 8 aos 52 anos. Da infância leve à adolescência confusa, indo para um período violento e depois para a solidão.

“a rotina também muda as pessoas só que mais devagar.”

Aline Bei faz parte de uma nova geração de autores brasileiros que, diferentemente da maioria, impressiona por sua sensibilidade ao expor as principais problemáticas cotidianas de uma forma mais triste do que já é. Tantos erros que cometemos diariamente e quase não percebemos que a vida não tem nada de poética: na verdade, viver é um texto bem mal escrito e sem revisão.

“entendendo que o tempo sempre leva as nossas coisas preferidas no mundo e nos esquece aqui olhando pra vida sem elas.”

Demorei um tempo para perceber que O Peso do Pássaro Morto é muito mais do que um título atrativo. É uma daquelas indicações que a gente recebe com desdém e logo descobre o quanto estava enganado. É um livro para dias cinzentos e noites chuvosas, para uma leitura rápida ou mais devagar.

“o trabalho é por tantas vezes a maior tristeza da vida de uma pessoa e é só nisso que certos pais pensam, no filho crescendo e sendo alguém que esse ser alguém envolve tudo menos Ser.”

Tentei ir mais a fundo para explicar melhor essa sensação pós-leitura e descobri que a narrativa de Aline Bei é a definição de “dor boa” – assim como dizem da “inveja”. Apesar de ambas não existirem, O Peso do Pássaro Morto faz com que sua estilística dê o peso necessário para cada leitor, de acordo com a fase em que se encontra. Eu só consegui estagnar.

Fonte: Skoob
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