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Minha terceira experiência literária com a escritora britânica Jane Austen, a segunda em apenas dois meses, tem um peso muito importante, mostrando a importância de algo que sempre enfatizei no blog: os leitores precisam aprender a ter mais diversidade nas experiências de leitura. Por muito tempo, não respondi mais aquelas perguntas de “quem é o seu autor preferido” por simplesmente não acreditar mais que é possível continuar acompanhando a trajetória de um escritor sem se deixar levar pelo fanatismo cego.

“A amizade é certamente o melhor bálsamo para os sofrimentos do amor não correspondido.”

Diferentemente da maioria dos leitores, não acredito que A Abadia de Northanger seja uma das piores obras da carreira de Austen. Em nenhum momento, levei em consideração o fato de ser o seu primeiro romance. É de se relevar que a similaridade nos assuntos e contextos causem a impressão de repetição, mas temos que concordar que o círculo de narrativas se atenham às críticas necessárias para a época, neste caso, o século XIX.

Aqui, temos Catherine Morland, descrita como uma jovem devoradora de livros que viaja para Bath a convite do Sr. e Sra. Allen. Uma cidade formada pela alta sociedade só poderia despertar o seu desejo em conhecer pessoas e a frequentar seus bailes, entrelaçando-se entre possíveis amores e a vontade de viver a vida como nunca. 

“Uma mulher é elegante para sua única satisfação. Nenhum homem a admirará mais por isso, nenhuma mulher gostará mais dela por isso.”

É difícil imaginar como o processo de criação de Jane Austen fosse fazê-la ser referência em um dos pontos principais de uma leitura: a criação de uma personagem inteligente e atraente, seja por sua beleza, humor ou caráter. Apesar da expectativa em experimentar um romance à la Orgulho e Preconceito, é preciso admitir que a capacidade de Austen em desenvolver uma história em torno de apenas um lugar, neste caso, a Abadia de Northanger, faz com ela continue sendo tão atual para os dias de hoje.

Em meio a tantos costumes da época, o leitor precisa entender que a contextualização não serve apenas para aquele século. É mais real do que se imagina e levanta, acima de tudo, uma escritora preocupada em expor os problemas sociais do período, sem saber o quanto isso seria importante para os dias atuais. Isso é visível em trechos como se pode ver logo abaixo:

“Concorde comigo que, em ambos os casos, o homem tem a faculdade de escolher, e a mulher somente a de recusar. Nos dois casos, há entre o homem e a mulher um compromisso estabelecido para a vantagem de cada um.”

E para quem, como eu, achava que romance gótico tinha alguma relação com terror, divido com vocês o prazer da descoberta desse estilo que traz como característica o drama, algo que pouco vi entre as páginas. Vá sem medo, mas pise no freio.

Fonte: Skoob
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