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Esta é uma clássica estória de amor no Nordeste brasileiro, que não deve nada a sua versão europeia, conhecida como Tristão e Isolda. Em minhas pesquisas para escrever esta resenha, descobri que A História do Amor de Fernando e Isaura surgiu após uma sugestão do artista plástico Francisco Brennand à Ariano Suassuna, que lhe pediu que escrevesse uma versão brasileira da clássica obra mitológica dos povos celtas. E convenhamos realizou com maestria. 

Conheci Ariano Suassuna por ser o autor do clássico O Auto da Compadecida (que ainda não tive a oportunidade de ler) e por suas excelentes e divertidíssimas palestras no YouTube. Por causa disso, selecionei esse livro e, por sorte, a nossa editora parceira, Nova Fronteira, realizou meu desejo e hoje trago a vocês um pequeno vislumbre dessa obra. 

Esse livro serve para você presentear aquele seu amigo que diz que os livros nacionais são chatos ou que prefere autores internacionais. Suassuna consegue nos transportar para os cenários com uma facilidade tremenda, além dos diálogos repletos de regionalismo. É realmente um livro de fácil assimilação, com capítulos curtas e trama “original”.

Por que uso aspas? Pois, mesmo sendo a versão do clássico Tristão e Isolda, o autor permite alterar fatores periféricos que não interferem diretamente na obra, mas dá um quê de Brasil. Como quando Fernando conhece Isaura, bem como o casamento e até mesmo as aflições que perturbam os protagonistas. 

“Se nos separarmos agora, nosso amor se manterá puro e vivo para sempre.”

E falando de aflições, no capítulo XX de A História do Amor de Fernando e Isaura, intitulado de “Com o Suor de Seu Rosto”, é possível notar uma referência ao clássico livro bíblico: Gênesis – capítulo 3, versículo 19 – quando Adão e Eva são expulsos do Jardim do Éden.

Temos uma mudança vital na vida de nossos personagens principais, ato esse que me levantou alguns questionamentos. Só o amor basta? Será que todas as histórias de amor suportariam a realidade do dia a dia? Sem as facilidades de uma família rica ou a herança de algum tio rico, os amores da literatura resistiriam? Ariano Suassuna com toda a sua maestria responde esses e muitos outros questionamentos nos derradeiros capítulos dessa grande obra que recomendo a leitura o quanto antes. 

Resenhista: Lucas Gonçalves

Fonte: Skoob
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