Home

Passei por um período difícil nos últimos dois meses. Em meio a tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, encontrei a paz ao mergulhar em O Meu Pé de Laranja Lima, do carioca José Mauro de Vasconcelos. É até angustiante confessar que uma leitura indispensável como essa tenha aparecido tão tarde em minha vida. 

Este grande clássico da literatura não poderia ter aparecido em hora mais oportuna. Ainda mais em um momento onde parece que todos estão buscando algo para manter as esperanças de que tem coisas boas acontecendo por esse mundão afora. E é com esse sentimento de “procurar coisas para acreditar” que eu começo a resenha destacando Zezé, o personagem icônico de José Mauro.

O cenário descrito em O Meu Pé de Laranja Lima é tão atual quanto a realidade. O que antes chamavam de subúrbio, hoje foi substituído pela palavra “favela”. Crianças carentes de afeto e atenção familiar também me parece algo tão comum quanto anos atrás. Mas o que realmente diferencia a narrativa de José Mauro com os dias de hoje é saber que hoje as crianças não saem mais por aí fazendo travessuras (saudáveis) – elas se fecham em seus quartos e correm os olhos para uma tela, seja celular, televisão ou computador.

Afinal, quem teria tanta imaginação atualmente para ter como melhor amigo um pé de laranja lima? Só mesmo o Zezé, que assim como milhares de crianças brasileiras, sofre com os problemas sociais que vão além do pai desempregado e violento ou da mãe que, como a maioria das grandes guerreiras, é responsável pelo desenvolvimento familiar.

A obra de José Mauro surpreende do início ao fim. São diálogos e descrições que transformam O Meu Pé de Laranja Lima em um livro que merece atenção de tempos em tempos. Há ciclos em nossas vidas que nos impedem de enxergar o comportamento da sociedade para determinadas coisas. E é exatamente a simplicidade de Zezé enxergar as coisas que me faz perceber que estamos todos descontrolados. 

As pancadas que recebemos diariamente da vida, sejam elas físicas ou psicológicas, estão transformando o nosso jeito de reagir e pensar. É nessas horas que a gente percebe que, apesar de tudo, não importa o que aconteça, a alegria e a tristeza sempre andam juntas e de mãos dadas. Que sobre espaço para o amor também!

“Matar não quer dizer a gente pegar o revólver de Buck e fazer bum! Não é isso. A gente mata no coração. Vai deixando de querer bem. E um dia a pessoa morreu.”

Fonte: Skoob

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s