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Calhamaços estão fora de moda. Andar por aí com um desses chega a ser um crime literário. Foi-se o tempo em que se escolhia um livro pela capa: hoje, somos obrigados a avaliar mais do que isso – quantidade de páginas, enredo, relevância do autor, avaliações, etc. E nada melhor quando uma escolha supera todas as expectativas e critérios na hora de escolher a próxima leitura!

“Engraçado é que, quando se é criança, pensa-se que o tempo nunca vai passar; mas, quando se chega lá pelos 20 anos, o tempo passa como se a gente estivesse no expresso para Memphis. Eu acho que a vida escorre para todo mundo. Um dia eu era uma menininha e no outro já era mulher feita, com seios e pelos nas minhas partes íntimas. Sinto saudade de tudo isso. E eu nunca fui mesmo muito boa na escola ou em qualquer coisa.”

A busca por Tomates Verdes Fritos, da escritora norte-america Fannie Flagg, foi uma grande novela. Recusava-me a acreditar que sempre estaria esgotada na Feira do Livro da USP ou que estaria fadada a encontrá-la com preços acima do normal. Em uma dessas andanças despretensiosas no shopping, encontrei a versão da obra lançada na Coleção Mulheres da Literatura, da Folha de S. Paulo. Um verdadeiro achado.

“Acredito em Deus, mas não acho que seja preciso enlouquecer para provar isso.”

Não quis demorar a minha aventura pelo Café da Parada do Apito. Queria entender porque Tomates Verdes Fritos poderia ser a obra que me tiraria de uma grande ressaca literária, me motivando a continuar fazendo aquilo que mais amo: falar sobre livros. Foi quando percebi que esse vilarejo isolado do Alabama seria companhia de muitas noites de leitura e nem mesmo a grande quantidade de personagens me faria desistir de entender porque existem histórias tão atemporais.

“É engraçado como a maior parte das pessoas pode estar perto de alguém e gradualmente começar a amá-lo, mas jamais saber quando foi que isso aconteceu.”

A primeira discussão de Flagg é sobre os preconceitos sociais, sexuais e raciais. Personagens que, por si só, já indicam que a trajetória pelas páginas não será nada fácil. Enquanto temos Ruth e Idgie de um lado, do outro temos Evelyn Couch e a Sra. Threadgoode – mulheres protagonistas e representantes de uma luta diária contra ameaças e preconceitos. Duas narrativas diferentes que se encontram e misturam as memórias tristes e felizes que se entrelaçam por gerações.

“Já pensou quantas pessoas jamais conseguem ter aqueles que querem e acabam ficando com os que os outros acham que devam ficar?”

Em meio a tantas confusões, Flagg se destaca com sua sensibilidade ao criar personagens fortes que não têm medo de enfrentar uma sociedade que não aprende com os problemas do passado. A narrativa conduzida no cenário da Grande Depressão transmite a sensação de que só mesmo uma crise financeira para enxergarmos o que há de melhor em algumas pessoas. Ou não.

“Permanecera virgem para não ser chamada de galinha ou vagabunda; casara-se para que não a chamassem de velha solteirona; fingira orgasmos para não ouvir que era frígida; tivera filhos para que não a chamassem de estéril; não fora feminista para não ser tida como sapatão que não gostava de homens, nunca falou em voz alta ou perdeu a linha para que não fosse chamada de puta.”

“Pois os que mais sofrem são os que menos falam.”

Fonte: Skoob

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