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Eu tinha acabado de completar nove anos de idade quando minha mãe me presenteou com o que seria o meu primeiro “livro de verdade”. Naquela época, a obra mais falada do momento era aquela sobre o jovem bruxo que foi estudar em Hogwarts. Era para ter sido a melhor experiência da minha vida, mas não foi: nunca havia odiado tanto um livro.

Cresci e só depois de muito tempo pude compreender o quanto uma decepção literária  pode acabar com a trajetória de um escritor. Desde então, eu jamais tinha me permitido conhecer J. K. Rowling de outra forma, que não fosse por meio de Harry Potter. Percebi que poderia reparar esse erro com O Chamado do Cuco, escrita com o pseudônimo de Robert Gailbraith.

“É uma expressão da psicologia. A janela de Johari. Tem a ver com o quanto conhecemos a nós mesmos e o quanto os outros nos conhecem.”

Assim como a maioria dos escritores britânicos, Rowling quis criar uma narrativa centrada por um personagem principal, denominado Cormoran Strike. É também um detetive que descobrirá a solução para crimes, se assimilando como seus promissores literários, Hercule Poirot e Sherlock Holmes. 

A motivação? Uma modelo cai de uma varanda com a suspeita de ser suicídio. Seu irmão contrata o detetive particular Cormoran Strike para ajudá-lo a descobrir a verdadeira razão para Lula Landry ter sua vida tirada tão cedo. Com cenário em Londres, a trama parece perfeita para carregar muito mistério e suspense com pitadas de referências a grandes clássicos literários. 

J. K. Rowling faz com que O Chamado do Cuco tenha um desenvolvimento lento, focado em contextualizar o histórico dos personagens. É como se todos os personagens do livro fossem colocados em fila e chamados um a um para uma terapia. Muito se conversa e pouco se investiga in loco, como nos velhos tempos de crimes literários. 

“Como era fácil tirar proveito da tendência de uma pessoa à autodestruição; como era simples empurrá-las para a inexistência, depois recuar, dar de ombros e concordar que este fora o resultado inevitável de uma vida caótica e catastrófica.”

Tanta psicologia para pouca ciência forense, que é a que realmente fez com que Sherlock Holmes, juntamente com Watson, serem a principal referência no assunto. O que mais me preocupa ainda é saber que existem mais duas continuações para as aventuras de Cormoran Strike.

Após verificar que a obra teve uma grande aceitação do público, fiquei me perguntando se estaria sendo exigente demais. Dedicamos tempo para livros que, no final, parecem transmitir a sensação de apenas ocuparem espaço em nossas agendas. Quantas obras passam despercebidas por não estarem na vitrine ou por não terem leitores fanáticos por seus escritores?

Os fãs de Harry Potter que me perdoem, mas eu ainda vou demorar para levar J. K. Rowling a sério.

Fonte: Skoob

Um pensamento em “O Chamado do Cuco (Gailbraith, Robert)

  1. Eu adorei os livros de Robert Galbraith (J.K. Rowling), e eis os quatro.
    O Chamado do Cuco
    O Bicho da Seda
    Vocação Para O Mal
    Branco Letal
    Espero pelo quinto, se houver.

    Quanto a série Harry Potter, não li livro nenhum, mas os vi em filmes, e provavelmente os últimos não.

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