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Ainda tenho dificuldades em incluir as histórias em quadrinhos na minha rotina literária. Minhas experiências  com esse tipo de leitura costumam ser rápidas, o que significa que acabo apreciando pouco (ou quase nada) das partes visuais. Um hábito que venho tentando melhorar com o passar dos anos, mas que ainda não consegui evoluir.

Desconstruindo Una, que leva o nome da autora Una, foi o meu primeiro contato com histórias em quadrinhos no Kindle. Troquei a sensação tátil de segurar uma graphic novel com páginas grossas e cheiro de tinta por um aparelho que mudou a minha percepção de consumo e  me surpreendeu quanto à sua crítica.

Com diálogos crus e contemplativos, Una constrói a história de um um assassino em série está realizando atos violentos contra mulheres no condado inglês de West Yorkshire. A polícia local tem dificuldades para resolver o caso, criando uma sensação de medo e terror entre os habitantes. 

A infeliz narrativa é uma demonstração da violência de gênero na década de 70, que se faz tão atual para os dias de hoje. Mulheres lutando contra uma sociedade cada vez mais tóxica e machista, sem saber para onde correr ou a quem pedir ajuda. Juntamente com esta crítica, vemos a presença da mulher sob os olhos de uma criança de 12 anos, que cresce com traumas e não entende que a infância e adolescência são fases de transformação e descobertas.

Ao entrelaçar a trajetória de Una com o “Estripador de Yorkshire”, conseguimos entender o propósito de Desconstruindo Una: somos vítimas, mas não nos enxergam como uma. Diariamente, somos silenciadas nas ruas, em casa e no trabalho; somos obrigadas a conviver com medo do escuro e do vazio.

E a parte mais difícil é descobrir que as nossas palavras diziam o que ninguém queria ouvir. Descobrir que a negligência da polícia em descobrir o assassino em Yorkshire é devastador, principalmente ao entender que as autoridades ficaram de frente para ele e não o identificaram nos interrogatórios. É por isso que Descontruindo Una é um constante exercício de reflexão para que não cresçamos com culpa. Ainda somos vítimas.

Fonte: Skoob

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