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2020 será o ano do centenário de Clarice Lispector. Com a chegada das redes sociais, a sua notoriedade ficou ainda mais evidente e hoje consigo entender a importância desta escritora e jornalista ucraniana naturalizada brasileira. Sua passagem pela Terra foi interrompida  quando estava no auge das suas obras literárias e isso me faz pensar o quanto Lispector transparecia a sua alma por meio das palavras. 

“Perder-se significa ir achando e nem saber o que fazer do que se for achando.”

Demorei mais tempo do que devia para escolher a minha primeira experiência com as obras da escritora. Decidi então que A Paixão Segundo G. H. seria um bom ponto de partida. A primeira característica que pude notar é que a leitura de um livro em primeira pessoa vai além do convencional: aqui, temos o personagem principal atuando como narrador.

“Não quero que me seja explicado o que de novo precisaria da validação humana para ser interpretado.”

O início de um fim é o cenário que faz ser o pontapé da narrativa de G. H., que compartilha com o leitor a sua estranheza ao se deparar com a limpeza do antigo quarto de sua empregada. Acredito que seja unânime de todos os resenhistas citar também a famosa barata, que traz desconfortos por causar tantos questionamentos e reflexões.

“Viver não é coragem, saber que se vive é a coragem.”

Em certo momento, cheguei a cogitar que Lispector era só mais uma romancista de frases motivacionais no Facebook. Mas, se olharmos sob todos os pontos de vista, vemos que o desconforto causado tem um motivo: ninguém será capaz de decifrar o seu verdadeiro significado. Há quem diga que A Paixão de G.H. seria inspirada em A Metamorfose, de Franz Kafka. Eu só posso dizer: afinal, quem nunca falou sozinho?

“Mesmo dentro dele, eu continuava de algum modo do lado de fora.”

“A vida, meu amor, é uma grande sedução onde tudo o que existe se seduz.”

“A vida se vingava de mim, e a vingança consistia apenas em voltar, nada mais. Todo caso de loucura é que alguma coisa voltou. Os possessos, eles não são possuídos pelo que vem, mas pelo que volta. Às vezes a vida volta.”

“Piedade é ser filho de alguém ou de alguma coisa – mas ser o mundo é a crueldade.”

“Amor é a experiência de um perigo de pecado maior – é a experiência da lama e da degradação e da alegria pior.”

“A esperança é um filho ainda não nascido, só prometido, e isso machuca.”

“Ah, meu amor, não tenhas medo da carência: ela é nosso destino maior. O amor é tão mais fatal do que eu havia pensado, o amor é tão inerente quanto a própria carência, e nós somos garantidos por uma necessidade que se renovará continuamente. O amor já está, está sempre. Falta apenas o golpe da graça – que se chama paixão.”

“A insistência é o nosso esforço, a desistência é o prêmio.”

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