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Os anos passam, mas existem coisas que não mudam: eu e a implicância com pessoas que não deixam a esquerda livre na escada rolante ou as leituras dos livros de Philip K. Dick. A bola da vez foi Realidades Adaptadas, livro composto por 7 contos “curtos”, alguns nem tanto, mas falamos disso depois.

Todos os contos dessa edição foram transformados em filmes por Hollywood. Alguns com mais aceitação do público, outros nem tanto, mas todos têm algo em comum: sua fonte é a mente brilhante e conturbada de seu criador.

Não irei me prolongar e descrever cada um dos contos, mas quero apresentar ao menos os nomes dos filmes em português e mencionar quais foram os meus favoritos e uma menção honrosa. Vamos lá!

  • Lembramos para você a preço de atacado (O Vingador do Futuro)
  • Segunda variedade (Screamers – Assassinos Cibernéticos)
  • Impostor (filme com nome homônimo ao conto)
  • O relatório minoritário (Minority Report)
  • O pagamento (filme com nome homônimo ao conto)
  • O homem dourado (O Vidente)
  • Equipe de ajuste (Os Agentes do Destino)

“Nosso presente está relacionado ao passado. Somente o passado é certo, para nós.” (Trecho retirado do conto “O homem dourado”

Particularmente, não é justo da minha parte escrever essa resenha, visto que sou fã de filmes de ficção-científica. Logo, minha opinião é enviesada. Gostei de todos os filmes, alguns meio trash e outros são remakes mais fracos que a versão original… Ainda assim, gostei e não classificaria-os como uma perca de tempo.

Com eu disse anteriormente, vou classificar meus 3 contos favoritos e uma menção honrosa. Vamos começar:

Lembramos para você a preço de atacado (O vingador do Futuro)
Tenho lembranças da versão original desse filme, estrelado por Arnold Schwarzenegger. É como uma viagem interplanetária para uma criança com uma imaginação gigante. Ler o conto e verificar as diferenças que o autor deu para cada personagem e para os fatos dentro da história me passa a sensação de “eu vi essa história em algum lugar, mas aqui está tão melhor”. Não estou tirando o mérito do filme dos anos 90, porque fizeram pior com o remake dos anos 2000. Mas, focando no conto, vale a pena cada linha da história, pois surgirá logo a pergunta que acompanha o autor por quase toda a sua jornada: “o que é real e como podemos provar que o somos é real?”

O relatório minoritário (Minority Report)
Da lista de filmes, talvez esse seja o mais famoso por ser o mais atual e por ter contado com a direção de Steven Spielberg e com o famoso Tom Cruise no elenco, além de sua indicação ao Oscar (mesmo que seja em uma categoria técnica) de Melhor Mixagem de Som. O conto é mais fechado em si e, mesmo não sendo tão curto como alguns outros, apresenta coisas que não são trazidas à tona nas telas, onde focaram mais nas acrobacias de Tom Cruise e nas cenas de ação. O conto é mais “pé no chão”, trazendo elementos novos ao público que assistiu apenas ao filme. Aliás, com um plot twist que eu particularmente não esperaria. 

Antes de finalizar com o terceiro melhor conto em minha opinião, quero mencionar a menção honrosa que fica com:

O homem dourado (O Vidente)
Deixo esse conto como menção honrosa, pois esse é o que menos conversa com o filme Hollywoodiano, tendo apenas o nome em comum e alguns conceitos simples, como a vidência, para ter uma relação direta com o filme. O conto é totalmente diferente do filme e apresenta situações, personagens e lugares que não são apresentados no filme. Outra vez, uma decisão do estúdio fez com que escolhessem o ator Nicolas Cage para ser a estrela principal do filme. Escolha essa que não deixa o filme ruim, muito pelo contrário: é graças ao ator que o filme conta com um plot twist que não está disponível no conto.

E por último, mas não menos importante está Equipe de ajuste (Os Agentes do Destino)
Impossível passar por esse conto e não se perguntar: “já está tudo escrito?” ou, como se aborda na filosofia, o determinismo na existência humana. Imagine que um dia você acorda, se arruma para ir ao trabalho, mas chega atrasado e, ao abrir a porta, vê pessoas de colete branco com máquinas estranhas fazendo um “ajuste” em seu colega de trabalho. O que você faria: sairia correndo, contaria a alguém ou não acreditaria? Tantas hipóteses, não é mesmo? Neste conto, Philip K. Dick apresenta uma dessas saídas e coloca em encontro com o determinismo sobre a realidade vivida para aquele personagem. É um conto digno de se tornar um romance com mais páginas e tempo para se desenvolver os personagens e as questões filosóficas. Já o filme, leva em conta o ponto central dos “ajustes” e do determinismo humano, remando para uma direção oposta ao conto original e dando mais explicações sobre os agentes. O real motivo para realizar os ajustes conta com o Matt Damon carregando o filme nas costas junto de Emilly Blunt, que lutam contra os agentes.

É difícil a tarefa de escolher três dos sete contos, mas acho que fiz ótimas escolhas, levando em conta as suas versões cinematográficas. Caso não tenha deixado claro, os sete contos são nada mais do que o mais puro da ficção científica.

O que K. Dick faz em 20 páginas, outros autores não conseguem fazer em trilogias inteiras. Então, se você quiser ficar se perguntando o que é real em diferentes planetas e questões, ou simplesmente quiser uma porta de entrada para o famoso autor de Androides Sonham com Ovelhas Elétricas, Realidades Adaptadas é a pedida certa. Podem ter certeza de que 2020 terá mais Philip K. Dick por aqui. 

Resenhista: Lucas Gonçalves

Fonte: Skoob

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