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Amigos, assumo que é um tanto quanto difícil e arriscado resenhar sobre um livro amplamente reverenciado e responsável pelo “boom” do gênero de ficção latino-americana. Mas tentarei.

Talvez um dos grandes vícios dos leitores é tentar entender todo o livro logo no início dos primeiros capítulos. Querem saber onde se passa o romance, qual o nome do personagem principal, quais circunstâncias o levaram até ali, se concordamos ou não com as coisas que ele fez ou ainda realiza…

São tantos “vícios” que carregamos em geral. Queremos entender o que lemos e, muitas das vezes, descartamos ou desistimos quando achamos confuso demais ou não entendemos a proposta do escritor.

Acredito que A Invenção de Morel, do argentino Adolfo Bioy Casares, cause nos leitores um sentimento único. Sentiremos que somos como o fugitivo que se encontra em uma ilha deserta, buscando o auto-exilamento da humanidade devido a falhas em seu passado e acompanhado por pessoas que, para ele, não deveriam estar naquela ilha.

Abrindo aqui um parênteses, A Invenção de Morel serviu, de certo modo, de inspiração para Lost, a série norte-americana de televisão. Para você que, assim como eu, acompanhou a série até o fim e se iludiu, fique tranquilo: com a resolução que Casares dá para sua história, você não se sentirá como em Lost. Vai por mim. 

“Não esperar da vida, para não arriscá-la; dar-se por morto, para não morrer.”

Com passar dos dias e ao desenrolar do diário do solitário fugitivo, perceberá que algumas coisas estranhas estão acontecendo, fazendo com que perguntas comecem a surgir. Você se sentirá assim como o fugitivo: querendo encontrar as respostas, talvez buscando a simplicidade.Às vezes não, mas tenha algo em mente as vezes a realidade é pior que a imaginação.

Imagine que você estará perdido em uma ilha deserta, fugindo de erros do passado que te atormentam, com poucas respostas e muitas perguntas, com alguns visitantes na ilha que você considerou deserta e procurando encontrar sentido nas coisas. E o melhor: querendo saber quem é Morel e qual é essa invenção.

Bioy Casares irá tirá-lo da área de conforto com a condução e finalização da trama como um belo soco na boca do seu estômago. Tirando seu ar e te colocando um drama existencial digno de uma longa e acalorada conversa de bar. 

Resenhista: Lucas Gonçalves

Fonte: Skoob

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