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É engraçado quando paramos para observar como algumas leituras fluem mais rapidamente do que outras. Quando percebi, estava mais do que envolvida: eu queria descobrir o que John Fowles, escritor britânico, tinha preparado para os seus personagens. Eis que hoje venho para compartilhar com vocês a minha experiência com O Colecionador.

“Tem uma nova forma de pobreza. Os outros pobres não tinham dinheiro, e estes não têm alma.”

Sempre defendi que as melhores histórias que li eram compostas por poucos personagens. A assertividade deveria ser um requisito nas narrativas, pois faz com que a concentração nos detalhes seja melhor aproveitada. E quando combinamos isso em um livro sobre um sequestrador e sua vítima, conseguimos entender porque Fowles marcou uma geração de leitores apaixonados por suspenses.

A primeira coisa a enfatizar sobre O Colecionador é que tudo acontece muito rápido. Desde as explicações sobre Frederick Clagg e sua solidão até o início de sua paixão por Miranda Gray. Durante a narrativa, Fowles dá a voz para os dois lados, o que nos faz compreender a angústia de cada um. É possível ter compaixão e até torcer por um final feliz, mas me sinto incapaz de negar que li cada página com um frio na barriga.

“G.P. disse uma vez que as pessoas honestas são aquelas que não têm dinheiro. A pobreza força-às a terem boas qualidades e orgulho, em substituição do dinheiro. Depois, quando têm dinheiro, não sabem o que fazer com ele. Esquecem todas as antigas virtudes, as quais, na realidade, não eram verdadeiras virtudes. Pensam que a única virtude é ganhar mais dinheiro e gastá-lo. Não podem sequer imaginar que há pessoas para quem o dinheiro nada significa, que as mais belas coisas da vida nada têm que ver com o dinheiro.”

É difícil imaginar como existem diversos pontos de discussão para levarmos em consideração. Como podemos nos apegar tanto ao martírio de Clagg e todo o seu desejo de amar e ser amado? Como podemos julgar as atitudes de Miranda, ainda mais nos tempos atuais, que reconhecemos os direitos das mulheres? Fowles fere a tantos princípios, mas faz com que tenhamos dificuldades em escolher apenas um lado.

O final é inesperado, mas não surpreendente. Talvez porque as minhas expectativas de que “tudo acabasse bem” eram maiores do que eu imaginava. Quando cheguei a última página, quase me vi na esperança de ter uma continuação. Mas, às vezes, as coisas precisam chegar ao fim – seja ele feliz ou não. Obrigado pela companhia, Fowles!

“O que penso saber agora é que Deus não intervém. Deixa-nos sofrer. Quem reza pela liberdade, pode sentir certo alívio só pelo fato de rezar, ou porque acontece qualquer outra coisa que lhe traz a liberdade, que a traria de todas as maneiras. Mas Deus não pode nos ouvir. Nada tem de humano, como seja, ouvir, ver, ajudar ou ter piedade. É possível que Deus tenha criado o mundo, bem como às leis fundamentais da matéria e da evolução. Planejou-o de forma a que certos indivíduos sejam felizes, outros tristes, alguns com sorte, outros não, Não sabe quem é triste e quem não o é, não sabe e não se preocupa. Assim, na realidade, não existe.

Fonte: Skoob

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