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Com seu romance de estreia, a brasileira Martha Batalha impressionou leitores internacionalmente antes de chegar nas livrarias brasileiras chancelada pela Companhia das Letras. A Vida Invisível de Eurídice Gusmão retrata um Rio de Janeiro no início dos anos 40, uma sociedade arraigada aos seus costumes e tradições.

Antes de adentrar na trama do livro, quero compartilhar como eu conheci essa obra. Todos os anos, o Brasil busca emplacar seus filmes na corrida do Oscar, como o aclamado “Central do Brasil” ou como “O que é Isso, Companheiro?”.

E para concorrer a premiação de 2020, o filme que buscaria representar o Brasil seria a adaptação A Vida Invisível, dirigido por Karim Ainouz e estrelando Fernanda Montenegro, Julia Stockler, Carol Duarte e Gregório Duvivier.

Meu primeiro contato com a obra foi um trailer, que me chamou muita atenção pelas cores e pelo elenco. Fui assistir ao filme no Cine Belas Artes aqui em São Paulo e saí com um sentimento de que, além de ser um excelente filme, a experiência foi tão positiva que fiquei com a sensação de que precisava ler esse livro.

Como havia ganhando ele na versão e-book, comecei a devorar suas páginas e a navegar naquele cenário que havia me chamado a atenção com o filme.

Para entrarmos nessa história, é importante saber quem é a Eurídice Gusmão. Para isso, eu gosto muito do que a autor escreveu sobre esse personagem: “Eurídice era uma mulher brilhante, poderia ter sido engenheira, escritora ou cientista, mas ela sempre achou que não valia muito. Ninguém vale muito quando diz ao moço do censo que no campo profissão ele deve escrever as palavras: Do Lar.”

Entretanto, essa história não é apenas da Eurídice e também de sua irmã a Guilda, que é totalmente diferente de sua irmã, mas que se completam de uma maneira que não haveria história se não houvesse ambas.

Logo de cara, Guilda foge de casa com seu namorado (no filme é um pouco diferente, mas a ideia é a mesma), sem deixar notícias e lança a sorte nesse mundo. Por outro lado, Eurídice se mantém ao lado dos pais aceitando suas ordens e não seguindo sua voz interior, se tornando dona de casa. O que ambas têm em comum é que nenhuma das duas estão felizes com suas decisões.

Martha Batalha não quis reinventar o gênero e, por isso, cativou tantos leitores ao redor do mundo com seu livro de estreia. A Vida Invísivel de Eurídice Gusmão retrata a possível vida das nossas avós logo nas primeiras páginas, nos fazendo lembrar que essa história poderia ser real.

Isso fez com que eu tivesse uma reflexão das histórias da minha avó e de como o marido dela português (coincidência com os pais da família Gusmão), a tratava e tratou todos os filhos.

Com certeza, o machismo retratado nas páginas desse romance diminui as vidas das mulheres brasileiras, mostrando o avanço que tivemos como sociedade, mas, em contrapartida, demonstra o quanto precisamos avançar por esses períodos sombrios.

O livro é uma fotografia daquele período e retrata o que qualquer mulher enfrentou pela simples situação de ter nascido naquela sociedade e todas as lutas e dificuldades. O mais interessante é que a autora explora uma série de personagens secundários, que dá ainda mais peso para a trama.

É evidente a facilidade que Martha Batalha tem para contar histórias envolventes, dando um pontapé inicial na sua carreira como uma das mais promissoras revelações da literatura nacional.

Resenhista: Lucas Gonçalves

Fonte: Skoob

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